terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Na contramão da ciência e das maiores cidades baianas, Itabuna decide não retomar aulas

Foto: Divulgação/Prefeitura de Itabuna

Da Redação

A prefeitura de Itabuna, no sul da Bahia, decidiu que as aulas presenciais da rede pública municipal só irão ser retomadas em 2022. A decisão vai na contramão do que pregam os educadores e do que foi adotado pelos grandes municípios do estado, com todas as medidas sanitárias e de seguranças previstas em protocolos, a exemplo do uso de máscaras.

Em decreto assinado pelo prefeito Augusto Castro (PSD), de número 14.719, o Executivo municipal adiou, inclusive, o início das aulas na rede pública em regime híbrido, que estava previsto para esta segunda-feira (25). Dessa forma, manteve apenas o ensino remoto durante o restante do ano, o que é criticado por especialistas em educação do mundo inteiro.

Ao contrário de Itabuna, maior cidade do sul da Bahia e a sexta do estado, a retomada das aulas presenciais ou no modelo híbrido já aconteceu em todos os outros grandes municípios, a exemplo de Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari e Juazeiro. Em Ilhéus, cidade vizinha a Itabuna, isso também já ocorreu.

Para tomar a decisão, o prefeito considerou fatores apontados como ultrapassados por especialistas neste momento de forte desaceleração da pandemia da Covid-19 e ampliação do público vacinado. Augusto Castro citou ainda o crescimento de casos ativos do novo coronavírus, o que não se sustenta, e entendimentos com o governo da Bahia para garantir uma retomada segura das atividades econômicas e sociais, sendo que o governador Rui Costa (PT) já determinou o retorno 100% presencial das escolas públicas estaduais.

Outro ponto justificado por Augusto Castro para o decreto é a necessidade de reformas físicas nas escolas, que só começarão a ser feitas agora, no final do ano, quando o prefeito teve o ano inteiro para executar obras com as unidades de ensino fechadas por conta da pandemia. Vale lembrar que, no último dia 16, um adolescente de 12 anos morreu após ser atingido por um muro de uma escola em Itabuna que desabou.

Assim como aconteceu em toda Bahia, nas redes públicas e particular, as aulas presenciais foram suspensas em março de 2020, no início da pandemia no Brasil. Segundo especialistas, a não retomada presencial do ensino amplia o prejuízo educacional dos estudantes e gera atrasos ainda maiores no desenvolvimento do país. Por isso, muitos defendem, inclusive, que a retomada presencial das aulas seja obrigatória.

“Do ponto de vista educacional, essa medida de tornar obrigatória a aula presencial tem vantagens importantes. Muitos pais deixam de levar os filhos à escola por não ser obrigatório. Os dados epidemiológicos estão melhorando, praticamente todos os professores tomaram as duas doses da vacina contra a Covid-19, e os adolescentes tomaram a primeira dose. Tem gente que diz: ‘Ah, já estamos em outubro, então podemos deixar para o ano que vem’, mas eu sou totalmente contrária a esse pensamento. As crianças precisam conviver com os colegas, e já perderam muito em termos de vida social”, disse a diretora-geral do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Cláudia Costin.

22 de outubro de 2021, 18:39

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