quarta-feira, 22 de setembro de 2021

O dia que André Catimba e Maradona se encontraram

Foto: Reprodução/Acervo pessoal

Da Redação

Para os que acreditam no plano superior da vida após a morte, há de se imaginar os encontros entre tantos gigantes que acontecem lá por cima. Esta semana, os torcedores do Vitória se despediram de um grande ídolo do clube, André Catimba, que morreu no último dia 28.

No encontro de craques no céu, pode-se até imaginar um ataque sendo formado para um baba celestial entre Catimba e o ídolo argentino, Maradona, que morreu em novembro do ano passado.

O possível encontro lá em cima tem a memória de um encontro aqui em baixo. Depois da morte de Maradona, Catimba recordou, em uma entrevista à Folha de S. Paulo, a breve convivência que teve com o craque argentino no final da década de 70.

Após deixar sua marca no Vitória e fazer história também no Guarani e no Grêmio, Catimba voltou à sua terra natal para jogar no arquirrival do Leão. Mas o Bahia, em meio à dificuldades financeiras, não estava em dia com os salários de seus jogadores. Diante dessa situação, o empresário uruguaio, Juan Figer, perguntou se ele não queria atuar pelo Argentinos Juniors, que tinha um jovem Maradona, então com 20 anos, como grande estrela.

Catimba topou e foi para Argentina fazer dupla de ataque com o craque do momento. Ele foi o único brasileiro a atuar com Maradona no início de carreira. Foi também o primeiro parceiro de ataque do Brasil, até a ida Maradona para o Napoli, onde fez dupla com Careca.

O baiano guardou, porém, poucas boas experiências do tempo em que morou em Buenos Aires, principalmente por conta dos episódios de racismo. Catimba relatou que quando sofria ataques racistas nos jogos, Maradona era o único jogador a defendê-lo.

Sua passagem pelo clube argentino durou meses em razão dos ataques que sofria também fora de campo.

Depois disso, os contatos entre Catimba e Maradona tornaram-se esporádicos. O craque argentino, às vezes, o consultava para saber a opinião sobre algum jogador brasileiro. Em 1992, Maradona atuava pelo Sevilla, na Espanha, e perguntou se o atacante baiano poderia ajudar na contratação do também baiano Charles pelo Boca Junior.

Charles integrou o elenco do Bahia campeão brasileiro de 1988, mas sua passagem pelo Boca Juniors foi apagada, e não chegou a marcar nenhum gol pelo time do coração de Maradona. A intermediação para essa contratação, recordou-se Catimba, foi o último contato direto que teve com o camisa 10 argentino.

Depois, acompanhou o fim de carreira e os escândalos do jogador a distância. No entanto, do dia em que se encontraram ao breve tempo de convivência no Argentina Juniors, Catimba guarda apenas a melhor memória do ex-parceiro de ataque: “Naquela época, ele não tinha vícios. Só mulher. Tenho lembrança muito boa dele e a atitude bacana que teve comigo, de me defender quando as outras torcidas foram racistas. Vou sempre me recordar disso”, finalizou André Catimba.

31 de julho de 2021, 17:28

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