quinta-feira, 7 de maio de 2026

Operação autorizada por Moraes mira jornalista do Maranhão após publicações sobre Flávio Dino

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Da Redação

Um jornalista do Maranhão foi alvo de uma operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última terça-feira (10). A ação teve como alvo o comunicador Luís Pablo Conceição Almeida e foi motivada por publicações envolvendo o ministro Flávio Dino.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos no âmbito de uma investigação que corre sob sigilo. Segundo informações divulgadas pelo portal g1, o jornalista teria publicado conteúdos com informações sobre um veículo utilizado por Dino durante deslocamentos no estado.

De acordo com a Polícia Federal, desde novembro de 2025 Almeida passou a divulgar reportagens com fotos e dados do automóvel funcional usado pelo ministro. Nas publicações, ele também afirmou que o carro, oficialmente vinculado ao Tribunal de Justiça do Maranhão, estaria sendo utilizado por integrantes da família de Dino.

Na decisão que autorizou a operação, Moraes afirmou que o autor das publicações “se valeu de algum mecanismo estatal para identificação e caracterização dos veículos”, o que teria possibilitado uma “exposição indevida relacionada à segurança de autoridades”.

O processo havia sido inicialmente distribuído ao ministro Cristiano Zanin, mas foi transferido para Moraes no início de 2026 por decisão da presidência do STF. O entendimento foi de que o caso possui relação com o Inquérito das Fake News, investigação aberta em 2019 por iniciativa do então presidente da Corte, Dias Toffoli, para apurar ataques e ameaças contra ministros do tribunal.

A Polícia Federal também informou ao STF que Luís Pablo já havia sido investigado em 2017 por suspeita de extorsão, sob acusação de exigir dinheiro para não divulgar informações relacionadas a operações policiais.

A decisão judicial provocou reação de entidades representativas da imprensa. Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) classificaram a medida como preocupante.

As organizações afirmaram que a atividade jornalística é protegida pela Constituição por meio do sigilo da fonte e defenderam que qualquer iniciativa que viole essa garantia representa ameaça ao livre exercício do jornalismo. As entidades também disseram esperar a revisão da decisão, que consideram incompatível com a proteção constitucional à liberdade de imprensa.

13 de março de 2026, 12:32

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