quarta-feira, 6 de maio de 2026

Pai de brasileira morta na Indonésia responsabiliza guia e parque por falhas no resgate

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Da Redação

O pai de Juliana Marins, jovem brasileira de 26 anos que morreu ao despencar de um penhasco durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, criticou duramente a conduta do guia de turismo e da administração do parque onde ocorreu o acidente. Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo (29), Manoel Marins classificou a atuação dos responsáveis como negligente.

“Juliana falou para o guia que estava cansada e o guia falou: ‘senta aqui, fica sentada’. E o guia nos disse que ele se afastou por 5 a 10 minutos para fumar. Para fumar! Quando voltou, não avistou mais Juliana. Isso foi por volta de 4h. Ele só a avistou novamente às 6h08, quando gravou o vídeo e o enviou ao chefe dele”, relatou o pai.

A família questiona também a resposta das autoridades locais. Segundo Manoel, o parque nacional só acionou uma brigada de primeiros socorros às 8h30, cerca de quatro horas após a jovem desaparecer. A equipe, com recursos limitados, teria chegado ao local apenas por volta das 14h.

“O único equipamento disponível era uma corda. Jogaram na direção da Juliana. Depois, no desespero, o guia amarrou a corda na cintura e tentou descer sem nenhum tipo de ancoragem”, contou.

A operação de resgate foi marcada por atrasos. A equipe da Defesa Civil indonésia (Basarnas) só foi acionada horas mais tarde e teria chegado ao local apenas às 19h do mesmo dia. O corpo de Juliana foi localizado dois dias após a queda, a cerca de 600 metros abaixo da trilha. Segundo o laudo, ela sofreu hemorragia interna causada por uma lesão no tórax.

“Os culpados, no meu entendimento, são o Guia, que deixou Juliana sozinha para fumar, 40 ou 50 minutos, tirou os olhos dela. A empresa que vende os passeios, porque esses passeios são vendidos em banquinha como sendo trilhas fáceis de fazer. Mas o primeiro culpado, que eu considero o culpado maior, é o coordenador do Parque. Ele demorou a acionar a Defesa Civil”, afirmou Manoel.

Juliana era moradora de Niterói (RJ) e viajava sozinha pela Ásia. A tragédia reacendeu o debate sobre a segurança em trilhas oferecidas a turistas no exterior e a precariedade de estruturas de resgate em áreas de difícil acesso.

30 de junho de 2025, 14:20

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