terça-feira, 5 de maio de 2026

Ciro poderia ter agido antes para mudar posição do PDT em votação da PEC dos Precatórios

Foto: Divulgação

Da Redação

Deputados do PDT afirmam que o presidenciável do partido, Ciro Gomes, sabia do acordo firmado pela bancada da sigla na Câmara Federal para votar a favor da PEC dos Precatórios. Ou seja, o ex-governador do Ceará, criticado pela reação “desmedida” de suspender a pré-campanha, poderia ter agido antes para mudar a posição dos parlamentares.

“Importante ressaltar uma coisa: a votação dessa PEC 23 (Precatórios) era assunto predominante nos noticiários em todas as TVs, portais, blogs e jornais do Brasil. A imprensa especializada já anunciava que PDT e PSB poderiam votar a favor da PEC. Apesar disso, não recebi do presidente Ciro um telefonema, um e-mail, uma mensagem, um recado. Nada. Rigorosamente nenhuma orientação”, escreveu o líder pedetista na Câmara, Wolney Queiroz (PE), em texto enviado aos parlamentares da bancada por aplicativo de mensagem.

O líder pedetista revelou que o deputado André Figueiredo (PDT-CE), que esteve à frente também das tratativas para o acordo, almoçou com o presidente do partido, Carlos Lupi, “cientificando-se da tendência que se avizinhava”.

Queiroz deu detalhes da reunião da bancada com dirigentes nacionais da Frente Norte Nordeste em Defesa da Educação e que recebeu deles sinal positivo para negociar o pagamento de precatórios para a categoria, com garantia de percentuais de 40%, 30% e 30% entre 2022 e 2024 – mesmo acordo revelado pelo senador baiano Otto Alencar para justificar o voto a favor da PEC da maioria dos deputados do PSD baiano.

O grupo foi levado ao partido pelas mãos do deputado Idilvan Alencar (PDT-CE), especializado em educação, que defendeu o voto a favor da PEC, mas no momento da votação, se posicionou contra. O líder do partido deu outros detalhes da negociação com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), da garantia de votação de um projeto de lei e uma emenda constitucional para assegurar o pagamento da dívida com os professores. Ele confirmou que o assunto foi levado ao senador Cid Gomes (PDT-CE), irmão de Ciro, pelos pedetistas cearenses, e também ao governador do estado, Camilo Santana (PT).

“Não tenho detalhes dos termos da conversa mas voltaram com a concordância do senador Cid (PDT) e do governador Camilo (PT), que lá estavam”. Queiroz disse que houve um recuo de parte do PSB, após ligação do presidente desse partido, Carlos Siqueira, pedindo que a bancada votasse contra a PEC.

“Iniciamos a votação isolados na oposição. Porém, nada mais poderia ser feito. Não temos por hábito decidir nossos votos pela orientação do PT e seus coligados. Nem tenho costume de descumprir o que foi combinado. O cumprimento dos acordos é regra de ouro do Parlamento”.

Lupi disse à imprensa que só soube do acordo em cima da hora, e que vai trabalhar para mudar a posição dos deputados pedetistas na votação do segundo turno da PEC, agendada para a semana que vem.

05 de novembro de 2021, 11:13

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