domingo, 21 de junho de 2026

PF aponta que grupo ligado a Daniel Vorcaro perseguiu morador que usava drone para procurar cachorro perdido

Foto: Reprodução

Da Redação

A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master revelou que um grupo apontado como segurança paralela do banqueiro Daniel Vorcaro mobilizou uma operação para identificar o operador de um drone que sobrevoava uma área próxima à residência do empresário, em Nova Lima (MG). Após diligências, os integrantes descobriram que o equipamento era utilizado por um morador que procurava um cachorro desaparecido. As informações são da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

O episódio ocorreu em março de 2024 e consta em relatórios tornados públicos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, no âmbito das investigações que apuram um suposto esquema de corrupção e fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.

Segundo mensagens obtidas pela PF, Vorcaro acionou Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, após notar a presença do drone nas proximidades de sua propriedade no condomínio Lagoa do Miguelão. O banqueiro pediu que o grupo identificasse o responsável pelo equipamento e sugeriu o uso de uma viatura para intimidar o operador.

As investigações apontam que o grupo denominado “A Turma” era formado por seis policiais, sob a liderança do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. De acordo com a PF, a estrutura atuava na obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e ações de intimidação contra indivíduos considerados adversários de Vorcaro.

Durante as diligências, os integrantes do grupo chegaram a discutir o registro de boletim de ocorrência e a aquisição de equipamentos antidrone. Dez dias depois do primeiro alerta, o equipamento voltou a ser avistado na região, levando a uma nova mobilização.

A investigação concluiu que o operador do drone era o produtor musical Elias Martins, que realizava buscas por um cachorro desaparecido chamado Pitoco. Após localizá-lo, Marilson entrou em contato com o morador e solicitou que interrompesse os voos na área, alegando desconforto dos residentes do condomínio.

Ao ser procurado, Elias afirmou ter ficado surpreso ao descobrir que a situação foi registrada em um relatório da Polícia Federal. Segundo ele, o drone era utilizado apenas nas proximidades da rodovia para auxiliar na localização do animal e não sobrevoava o condomínio onde mora Vorcaro.

O caso integra um dos episódios citados pela PF para ilustrar a atuação do grupo de segurança ligado ao banqueiro, preso posteriormente por determinação da Justiça Federal no âmbito das investigações sobre o Banco Master. Um dia após a abordagem, o cachorro Pitoco foi encontrado em um condomínio da região.

21 de junho de 2026, 09:06

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