Pinus invasor ameaça ecossistema do Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis
A paisagem do Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis, passa por uma transformação considerada preocupante por especialistas ambientais. A disseminação descontrolada do pinus, espécie exótica originária do hemisfério norte, tem provocado impactos severos no ecossistema da unidade de conservação, motivando ações de manejo e remoção por parte das autoridades.
De acordo com pesquisadores, o pinus é altamente nocivo quando se espalha por áreas de preservação ambiental. A espécie se multiplica com facilidade, compromete o desenvolvimento da vegetação nativa da Mata Atlântica e altera as características químicas do solo, especialmente ao provocar sua acidificação. Esse processo dificulta a germinação de plantas locais, reduz a biodiversidade e cria áreas dominadas por uma única espécie.
Outro fator de risco associado ao avanço do pinus é o aumento da vulnerabilidade a incêndios florestais. As propriedades da árvore facilitam a propagação do fogo, elevando o perigo de queimadas de grandes proporções e ameaçando recursos hídricos, fauna e flora da região.
Diante do cenário, órgãos ambientais, pesquisadores e comunidades tradicionais acompanham de perto o avanço da espécie no Sul do Brasil. No Parque Estadual do Rio Vermelho, foi iniciada uma operação de retirada gradual dos exemplares invasores, com foco na recuperação ambiental da área.
O território também possui relevância social, por abrigar comunidades quilombolas que reivindicam participação direta no processo de recuperação das terras. A Justiça reconheceu o direito dessas comunidades de integrar a gestão ambiental, defendendo um modelo de cuidado compartilhado. A proposta prevê o replantio de espécies nativas e o fortalecimento dos saberes tradicionais como estratégia para restaurar o equilíbrio ecológico da região.








