Polícia diz que academia aplicava em um dia na piscina a carga de cloro recomendada para uma semana
Da Redação
A Polícia Civil de São Paulo afirmou nesta quinta-feira (12) que a academia C4 Gym utilizava, em apenas um dia, a quantidade de cloro que, segundo parâmetros técnicos, deveria ser aplicada ao longo de uma semana em piscinas de porte semelhante. A declaração foi feita pelo delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial da capital paulista, durante coletiva sobre o andamento das investigações.
O caso apura a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, além da intoxicação de outros frequentadores da academia. De acordo com o delegado, há indícios de interferência dos empresários na condução do episódio desde as primeiras horas após o ocorrido.
“Ficou evidenciado, bem claro, aqui na nossa investigação a manipulação por parte dos empresários. Eles ocultaram um outro manobrista, tentaram atrasar a oitiva do Severino, mandaram esse outro manobrista, que é o Sr. Reginaldo, compareceram a noite lá e não souberam explicar ao certo porque eles mandaram o Reginaldo ir 21h na academia.”
Segundo a polícia, Reginaldo teria sido orientado a ir ao local sob a justificativa de abrir janelas para dispersar o odor de cloro. A versão, porém, não se sustentaria, já que o ambiente das piscinas não possui janelas.
“O Reginaldo alega primeiro que pediram para ele ir abrir as janelas, mas no local onde fica as piscinas não há janelas. O local é lacrado, não há janelas, então não teria como abrir as janelas para dispersar os gases. Eles buscavam dificultar a investigação, na medida em que, abrindo as janelas, eles esperavam dispersar os gases do ambiente para quando chegasse a perícia ou a polícia no domingo o ambiente parecesse normal, o que foi impossível, porque se a gente entrar na academia agora, que fica do outro lado da rua, o cheiro de cloro permanece muito forte.”
A persistência do odor, segundo o delegado, reforça a hipótese de uso excessivo do produto químico em ambiente fechado. “Eles chegavam a usar em um dia na academia uma medida que normalmente para esse tipo de piscina, dentro do padrão, é utilizado em uma semana. A carga de cloro que eles usavam em um dia é usada em uma semana em uma piscina desse tipo”, informou.
Ainda de acordo com Alexandre Bento, a prática estaria relacionada à tentativa de manter a piscina em funcionamento contínuo, evitando interrupções nas aulas.
“E eles faziam tudo isso visando lucro máximo, para que a piscina nunca fosse fechada. Eles davam aula de segunda a segunda, faziam a manutenção ainda com as pessoas ali, justamente para evitar fechar a piscina. Qualquer técnico tem conhecimento que, no momento da manutenção do produto, o local deve estar apenas com os técnicos, sem a presença de terceiros. E, após a aplicação desse produto, há a necessidade de aguardar o período de descanso da água para que ela possa voltar a ser utilizada”, acrescentou.
Os três proprietários da academia foram indiciados por homicídio com dolo eventual. O marido da professora permanece internado em estado grave na UTI, assim como um adolescente de 14 anos. A Justiça ainda analisará o pedido de prisão dos investigados.








