terça-feira, 5 de maio de 2026

Prisões de vereadores na Bahia expõem avanço do crime organizado sobre a política

Foto: Divulgação

Da Redação

Ao menos seis vereadores de diferentes municípios da Bahia foram presos nos últimos oito meses em operações que investigam ligação com facções criminosas, tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro. As informações são do jornal A Tarde.

As investigações apontam conexões com grupos como Bonde do Maluco (BDM), Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), evidenciando a atuação de redes criminosas com alcance interestadual.

As ações, conduzidas de forma integrada pelas polícias Civil, Militar e Federal, além do Ministério Público, resultaram em prisões, bloqueio de bens, apreensão de armas e documentos. Segundo os órgãos, mandatos eletivos teriam sido utilizados para facilitar atividades ilícitas e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados.

Especialistas em segurança pública avaliam que os casos indicam um cenário de infiltração do crime organizado em estruturas institucionais, com agentes públicos atuando simultaneamente na política e em redes criminosas.

Um dos episódios mais recentes ocorreu nesta quarta-feira (8), com a prisão do presidente da Câmara de Guaratinga, Paulo Chiclete (PSD), durante a Operação Vento Norte, no extremo-sul do estado. Ele é investigado por ligação com o Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), associado ao Comando Vermelho. Durante a ação, foi apreendida uma pistola calibre .380 em sua residência.

A operação teve desdobramentos em cidades como Eunápolis, Guaratinga e Itagimirim, com o cumprimento de 12 mandados de prisão e o bloqueio de R$ 3,8 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados. Parte das ordens judiciais foi executada dentro do sistema prisional, em diferentes estados.

Outro caso envolve o vereador conhecido como “Nem Nem de Augusto” (MDB), de Cabaceiras do Paraguaçu, preso em Salvador após período foragido. Ele é apontado pela Polícia Civil como líder do BDM na região e suspeito de participação em homicídios e tráfico de drogas.

Em outubro de 2025, a Operação Frater Dominus revelou um esquema com atuação na Bahia e em Sergipe, envolvendo tráfico de drogas, armas, homicídios e lavagem de dinheiro. A ação cumpriu 20 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, com movimentação estimada em mais de R$ 20 milhões. Entre os alvos estavam os vereadores George Everton Santana (PCdoB), de Ubaitaba, preso com dinheiro em espécie, e Jeazi Assunção (Avante), de Maraú.

Já a Operação Anátema identificou um esquema ainda mais amplo, com movimentação estimada em R$ 4,3 bilhões e estrutura dividida em núcleos operacional, financeiro e político. As investigações apontam a participação de agentes públicos como facilitadores das atividades criminosas.

Entre os investigados estão os vereadores Ailton Leal (PT), de Santo Estevão, suspeito de utilizar um posto de combustíveis para lavagem de dinheiro, e Marcão do Pipa (PSB), de Jaguarari, apontado como integrante do núcleo financeiro do esquema.

Segundo a polícia, a presença de agentes políticos em organizações criminosas indica um nível mais sofisticado de atuação, com uso de estruturas públicas para dar suporte e proteção a atividades ilegais.

09 de abril de 2026, 09:30

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