terça-feira, 23 de junho de 2026

Procuradores da Lava Jato ironizaram morte de Marisa Letícia, revelam mensagens

Foto: Ricardo Stcukert

Redação

Novos trechos de mensagens trocadas entre procuradores da Operação Lava Jato e obtidas pelo site The Intercept Brasil foram divulgadas hoje pelo UOL. As conversas revelam que os integrantes da força-tarefa em Curitiba ironizaram a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, em fevereiro de 2017, e o luto do ex-presidente Lula.

No dia 24 de janeiro, Marisa Letícia sofreu um AVC hemorrágico e foi internada no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O procurador Deltan Dallangnol comentou: “Um amigo de um amigo de uma prima disse que Marisa chegou ao atendimento sem resposta, como vegetal”. No mesmo chat, Januário Paludo respondeu: “Estão eliminando as testemunhas…”, sem desdobrar o assunto.

A morte encefálica de Marisa Letícia foi confirmada em 3 de fevereiro. Um dia antes, a procuradora Laura Tessler sugere que Lula faria uso político da perda da mulher: “Quem for fazer a próxima audiência do Lula, é bom que vá com uma dose extra de paciência para a sessão de vitimização”.

Os comentários seguiram nos dias seguintes, depois de a colunista da Folha, Mônica Bergamo, publicar nota sobre a agonia vivida pela ex-primeira-dama nos seus últimos dias de vida, quando a mesma procuradora Laura Tessler refuta a possibilidade de o agravamento do quadro da ex-primeira-dama ter acontecido apos busca e apreensão na casa dela e dos filhos e da condução coercitiva de Lula, determinada pelo então juiz Sérgio Moro em 2016.

Dois anos depois, os procuradores também comentavam o pedido de Lula para ir ao enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, que morreu em janeiro deste ano. Na ocasião, alguns membros da Lava Jato afirmaram acreditar que a militância simpatizante de Lula pudesse impedir a volta dele à superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Em março, a morte do neto de Lula, Arthur Araújo Lula da Silva, que tinha sete anos, também doi assunto entre os procuradores da Lava Jato e alvo de críticas de alguns deles. “Fez discurso político em pleno enterro do neto, gastos públicos altíssimos para o translado, reclamação do policial que fez a escolta… Vão vendo”, escreveu a procuradora Monique Cheker.

Segundo o UOL, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba disse que não poderia se manifestar sem ter acesso integral às conversas.

27 de agosto de 2019, 08:27

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