segunda-feira, 4 de maio de 2026

Professora do Thales de Azevedo é intimada por disseminar “conteúdos esquerdistas e feministas”

Foto: Reprodução/Google Street View

Da Redação

Uma professora do Colégio Estadual Thales de Azevedo, em Salvador, foi intimada pela polícia para prestar esclarecimentos sobre sua postura em sala de aula. A alegação é de que ela ensinou “conteúdos esquerdistas” e “feministas” aos alunos.

A intimação à professora de Filosofia foi motivada por um boletim de ocorrência registrado por uma aluna e sua mãe na Delegacia de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Derrca).

O Sindicato dos Professores da Bahia (APLB) informou, por meio de nota, que a motivação do boletim de ocorrência seria pelas discussões promovidas pela professora de temas como questões de gênero, racismo, assédio, machismo e diversidade em sala de aula. Ainda de acordo com o sindicato, dois episódios marcam a perseguição aos professores da unidade escolar.

“No mês de agosto foi realizado um seminário online pela escola e após o evento um grupo de estudantes e seus responsáveis expediram uma nota atacando os professores e palestrantes. Em outra ocasião, durante uma aula remota da disciplina de Inglês, a mãe de uma estudante, a mesma que deu entrada na queixa contra a professora de Filosofia, invadiu o espaço da aula online para inquirir e exigir explicações sobre a temática, que segundo ela seria inadequada por se tratar de feminismo”, diz a nota divulgada pelo sindicato.

Ainda segundo a APLB, após receber a intimação na última terça-feira (16), a professora ficou muito abalada emocionalmente e teve que receber atendimento médico. A identidade dela não foi divulgada.

A equipe que gerencia a escola repudiou a situação e divulgou uma nota sobre o caso, afirmando que “as alegações são de que os conteúdos de Ciências Humanas são de “cunho esquerdista” e os de Linguagens são de “doutrinação feminista”. A nota diz ainda que a intimação policial fere “a liberdade de cátedra e autonomia pedagógica, princípios constitucionais fundamentais”.

19 de novembro de 2021, 10:02

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