Rapidinhas: A volta da reforma de Bruno, a deputada foliã, o deputado fominha de voto e a política hereditária em Cairu
Alberico Goméz e equipe
Depois das cinzas, a reforma
Passado o Carnaval, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), volta as atenções para concluir a primeira reforma administrativa do segundo mandato. A expectativa é que ele anuncie na segunda (10) as mudanças de comando nas secretarias municipais de Ordem Pública (Semop) e Gestão (Semge), além de órgãos como a Transalvador, Codecon, Agência Reguladora e Fiscalizadora dos Serviços Públicos (Arsal), Ouvidoria Geral do Município (OGM) e Diretoria de Segurança Urbana e Prevenção à Violência. Para a Semop, vai Décio Martins, hoje superintendente do órgão de trânsito e quadro ligado ao deputado federal Leo Prates (PDT). O atual titular da pasta, Alexandre Tinôco, será remanejado para a Semge.
Divisão tucana
Tinôco, por sua vez, deve ser deslocado para o comando da Semge, sob a batuta do interino Daniel Ribeiro, subsecretário da Fazenda e que retoma também a direção do setor de Previdência municipal. Quem deve assumir a Transalvador é o Diego Brito, chefe de gabinete do presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz (PSDB). Os tucanos querem emplacar também a chefia da Codecon. Líder do partido no Legislativo municipal, o vereador Daniel Alves reivindica o direito de escolha, mas a disputa interna é grande.
Retorno ao batente
Operado recentemente por conta de uma hérnia, e por isso de fora do Carnaval deste ano, Carlos Muniz também quer resolver a vida de Jean Sacramento, que coordenou a campanha proporcional da federação PSDB/Cidadania nas eleições do ano passado em Salvador e é o atual chefe da OGM. Inicialmente, o plano era colocá-lo como subsecretário da Saúde, mas a ideia não teve o apoio do novo titular da pasta, Rodrigo Alves, indicação tucana, e nem de Bruno Reis. Dificilmente Jean será mantido na Ouvidoria, pois o prefeito prometeu o cargo a Zilton Netto (PDT), ex-Codecon e outro aliado de Leo Prates, além de segundo suplente na Câmara.
Busca por espaços
Carlos Muniz gostaria de contemplar com um espaço na reforma administrativa o ex-diretor de Esportes da Prefeitura e suplente de vereador pelo PSDB Felipe Lucas, cotado para o comando da Arsal ou até mesmo da Codecon, a depender das costuras políticas. Ex-União Brasil, trata-se de um nome que o prefeito também tem interesse em abrigar. Já para a Diretoria de Segurança Urbana e Prevenção à Violência, o indicado deve ser o coronel Humberto Sturaro, que disputou o pleito de 2024 no ninho tucano, mas passou a ser da cota do deputado federal bolsonarista Capitão Alende (PL), a quem irá apoiar para a reeleição em 2026.
Foliã socialista
Quem curtiu mesmo o Carnaval de Salvador foi a deputada federal Lídice da Mata (PSB). Aliás, se houvesse uma premiação para político destaque na folia, certamente a socialista seria uma forte concorrente. Além de circular pelos camarotes oficiais e de amigos, a exemplo do Expresso 2222, a parlamentar desfilou todos os dias pelas ruas atrás ou em cima de trios elétricos, participou de feijoadas e da tradicional Mudança do Garcia. “Eu gosto de curtir a festa na rua, e sempre foi assim. Claro que, com a idade, a gente cansa mais rápido, mas tenho energia de sobra”, disse a deputada à coluna.
Fome de voto
Mesmo tendo Salvador como principal reduto eleitoral, o deputado estadual Alan Sanches (União), pré-candidato a uma cadeira na Câmara Federal, não deixou de fazer política nem mesmo no Carnaval. Deu um tempo na folia na capital e foi até um condomínio na Ilha de Itaparica para colocar a conversa em dia com o prefeito de Santo Antônio de Jesus, Genival Deolino (PSDB), e com o empresário Ditinho Lemos, que almeja uma cadeira na Assembleia em 2026. Ditinho até brincou ao receber a visita. “Alan não deixa nem a gente descansar no Carnaval, com essa fome de foto dele”.
Preço da mudança
Antes crítico da reaproximação do partido dele com o PT, o deputado federal Cláudio Cajado (PP) está com os dois pés na base do governador Jerônimo Rodrigues. Na segunda (03), inclusive, acompanhou o governador durante a visita a Cairu, no baixo sul baiano. Cajado mudou de opinião após a oferta feita pelo morador do Palácio de Ondina para empregar a mulher, a ex-prefeita de Dias D’Ávila Andréia Xavier, como nova secretária estadual de Planejamento. O cargo, no entanto, só deve ser preenchido após uma conversa final entre Jerônimo e o presidente do PP baiano, o deputado federal Mário Negromonte Júnior.
Política hereditária
Apesar da presença de Cajado, o prefeito de Cairu pretende mesmo é repetir o pleito de 2022 e apoiar, para a Câmara Federal, as reeleições dos deputados Elmar Nascimento (União) e Dal Barreto (União), mesmo que decida aderir à base de Jerônimo, conforme tratativas em andamento. Já para a Assembleia Legislativa, a coluna descobriu que Hildécio, que já foi deputado estadual, pretende lançar o filho, Rafael Meireles, faltando apenas definir o partido – se pela base aliada ou pela oposição.
Fora da disputa
Presidente do PT da Bahia, Éden Valadares, muito ligado ao senador Jaques Wagner, não deve disputar a reeleição para o cargo em julho deste ano. Ele revelou a pessoas próximas o desejo de ficar de fora da disputa, sobretudo após o governador dizer, no Carnaval, que o comando petista precisa de uma renovação. O nome mais forte para sucedê-lo é o de Everaldo Anunciação, que já presidiu o PT baiano e tem a simpatia do ministro da Casa Civil, Rui Costa.
Cadeira ameaçada
Reeleito pela terceira vez consecutiva como presidente da Câmara Municipal de Monte Santo, Bira do Valtinho (PSB) pode perder a cadeira. O vereador Iure Santana (MDB) ingressou com um mandado de segurança na Justiça baiana pedindo que a recondução do colega seja anulada por infringir a mesma jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou o deputado Adolfo Menezes (PSD) da presidência da Assembleia.

















