sábado, 25 de abril de 2026

Rapidinhas: O esquecimento de Bolsonaro, os baianos de Ciro e a guerra em Salvador

Foto: Ascom/João Roma

Davi Lemos

Lapso presidencial

O presidente Jair Bolsonaro (PL) realizou uma motociata e um comício, no sábado (27), em Vitória da Conquista, mas esqueceu de pedir votos para João Roma. Coube ao ex-ministro da Cidadania, ao final do seu rápido discurso, dizer que “quem vota em Bolsonaro vota em João Roma”. “Seria importante que o presidente pedisse votos para Roma e Raíssa [Soares, candidata ao Senado]”, disse um candidato a deputado. Na manhã desta segunda-feira (29), na Associação Comercial da Bahia, Roma disse que o ministro da Economia deve vir à Bahia daqui a 15 dias. Pedirá votos para a chapa bolsonarista?

Comentaristas 1

Muitos candidatos pró-Lula e pró-Bolsonaro na Bahia faziam comentários em tempo real sobre a atuação dos presidenciáveis no debate realizado na noite de domingo (28) na TV Band. Como esperado, cada qual tuitou conforme o peixe que queria vender. Alice Portugal usou o popular “conte outra” ao questionar Bolsonaro, que disse que escolheu seus ministros por questões técnicas. “Um governo que tem como marca o troca-troca de ministros e casos de corrupção”, sentenciou a comunista.

Comentaristas 2

O ex-vereador de Salvador, Cezar Leite, chamou Bolsonaro de “mito” ao comentar resposta do presidente sobre como obter recursos para manter o Auxílio Brasil. “Candidato Jair Bolsonaro, como obter recursos para pagamento do auxílio emergencial? – Não roubando!”, descreveu Leite, chamando o presidente de “mito” após. A jornalista Priscila Chammas, que já foi candidata pelo Novo, questionou o dinheiro aplicado em educação por Lula. “Lula diz que quintuplicou o investimento na educação em seu governo. É verdade. Só faltou contar que não adiantou nada […] Basta ver as notas do IDEB”, escreveu Chammas.

Dois dedos de baianidade

A calma e a humildade de Ciro Gomes demonstrada ao longo dessa campanha e também no debate de domingo (28), na TV Band, é resultado, segundo um observador soteropolitano da política, de “duas pitadas de baianidade dadas por Patinhas e por Ana Paula Matos”. Embora tenha comentado primeiro em tom de brincadeira, com riso, depois afirmou: “João Santana conseguiu fazer com Ciro o que Duda Mendonça fez com Lula. Agora é o Ciro ‘paz e amor’. Com Ana Paula ao lado, acho que Ciro nem consegue pensar em ficar nervoso”.

Nacionalizar…

O PT quer insistir mais na nacionalização da disputa na Bahia para alavancar a candidatura de Jerônimo Rodrigues e, assim, conseguir o objetivo de levar o petista ao segundo turno. O slogan “sem essa de tanto faz” utilizado nas peças dos candidatos a deputado estadual e federal do grupo que apoia Jerônimo vai justamente nesse caminho de confrontar a posição do ex-prefeito de Salvador, que quer se afastar da disputa nacional. Neto, por sua vez, também reforça em seu programa eleitoral que “ainda não é possível dizer quem será o próximo presidente”, mas que ele será o melhor governador da Bahia, se eleito.

…e soteropolitanizar

Para desnacionalizar a eleição estadual, Neto reforça o argumento de que conseguiu governar Salvador tendo Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e o próprio Jair Bolsonaro (PL) como presidentes. Daí a estratégia do petismo é também fazer guerra em Salvador, e o principal campo de batalha escolhido é a Câmara Municipal de Salvador, presidida pelo vereador e candidato a vice-governador Geraldo Jr (MDB). O emedebista já tem o reforço de Henrique Carballal, que deixou a base de Neto junto com ele. “Há muitas questões a contestar. Tem IPTU, a quantidade de pobres em Salvador. Vamos evidenciar essas desigualdades que foram ampliadas nas gestões atuais”, disse um membro da oposição em Salvador.

Reprodução/Redes Sociais

Escorregou

Uma das pedras no calcanhar do candidato petista ao governo, Jerônimo Rodrigues, são as últimas colocações do ensino estadual baiano nos rankings nacionais, notadamente o Ideb. Na última quinta-feira (25), justamente ao tuitar sobre educação, o ex-secretário da Educação (ou quem administra a conta) aplicou uma crase inexistente: “Firmar parcerias e convênios com os municípios para garantir o direito à creches (sic) e escolas infantis públicas, de qualidade e em tempo integral”. Tem que ficar atento à campanha e ao vernáculo.

Não decola

O ex-secretário nacional de Incentivo à Cultura, André Porciúncula (PL), tem desagradado a cúpula do partido na Bahia que não tem visto o capitão da PM, apesar da presença de Eduardo Bolsonaro em lançamento de campanha no oeste baiano, decolar em sua candidatura a deputado federal. Apesar da aposta, dizem bolsonaristas, ele não tem conseguido fechar apoio com lideranças e vem acumulando agendas vazias.

29 de agosto de 2022, 17:43

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