Rapidinhas: O esquecimento de Bolsonaro, os baianos de Ciro e a guerra em Salvador
Davi Lemos
Lapso presidencial
O presidente Jair Bolsonaro (PL) realizou uma motociata e um comício, no sábado (27), em Vitória da Conquista, mas esqueceu de pedir votos para João Roma. Coube ao ex-ministro da Cidadania, ao final do seu rápido discurso, dizer que “quem vota em Bolsonaro vota em João Roma”. “Seria importante que o presidente pedisse votos para Roma e Raíssa [Soares, candidata ao Senado]”, disse um candidato a deputado. Na manhã desta segunda-feira (29), na Associação Comercial da Bahia, Roma disse que o ministro da Economia deve vir à Bahia daqui a 15 dias. Pedirá votos para a chapa bolsonarista?
Comentaristas 1
Muitos candidatos pró-Lula e pró-Bolsonaro na Bahia faziam comentários em tempo real sobre a atuação dos presidenciáveis no debate realizado na noite de domingo (28) na TV Band. Como esperado, cada qual tuitou conforme o peixe que queria vender. Alice Portugal usou o popular “conte outra” ao questionar Bolsonaro, que disse que escolheu seus ministros por questões técnicas. “Um governo que tem como marca o troca-troca de ministros e casos de corrupção”, sentenciou a comunista.
Comentaristas 2
O ex-vereador de Salvador, Cezar Leite, chamou Bolsonaro de “mito” ao comentar resposta do presidente sobre como obter recursos para manter o Auxílio Brasil. “Candidato Jair Bolsonaro, como obter recursos para pagamento do auxílio emergencial? – Não roubando!”, descreveu Leite, chamando o presidente de “mito” após. A jornalista Priscila Chammas, que já foi candidata pelo Novo, questionou o dinheiro aplicado em educação por Lula. “Lula diz que quintuplicou o investimento na educação em seu governo. É verdade. Só faltou contar que não adiantou nada […] Basta ver as notas do IDEB”, escreveu Chammas.
Dois dedos de baianidade
A calma e a humildade de Ciro Gomes demonstrada ao longo dessa campanha e também no debate de domingo (28), na TV Band, é resultado, segundo um observador soteropolitano da política, de “duas pitadas de baianidade dadas por Patinhas e por Ana Paula Matos”. Embora tenha comentado primeiro em tom de brincadeira, com riso, depois afirmou: “João Santana conseguiu fazer com Ciro o que Duda Mendonça fez com Lula. Agora é o Ciro ‘paz e amor’. Com Ana Paula ao lado, acho que Ciro nem consegue pensar em ficar nervoso”.
Nacionalizar…
O PT quer insistir mais na nacionalização da disputa na Bahia para alavancar a candidatura de Jerônimo Rodrigues e, assim, conseguir o objetivo de levar o petista ao segundo turno. O slogan “sem essa de tanto faz” utilizado nas peças dos candidatos a deputado estadual e federal do grupo que apoia Jerônimo vai justamente nesse caminho de confrontar a posição do ex-prefeito de Salvador, que quer se afastar da disputa nacional. Neto, por sua vez, também reforça em seu programa eleitoral que “ainda não é possível dizer quem será o próximo presidente”, mas que ele será o melhor governador da Bahia, se eleito.
…e soteropolitanizar
Para desnacionalizar a eleição estadual, Neto reforça o argumento de que conseguiu governar Salvador tendo Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e o próprio Jair Bolsonaro (PL) como presidentes. Daí a estratégia do petismo é também fazer guerra em Salvador, e o principal campo de batalha escolhido é a Câmara Municipal de Salvador, presidida pelo vereador e candidato a vice-governador Geraldo Jr (MDB). O emedebista já tem o reforço de Henrique Carballal, que deixou a base de Neto junto com ele. “Há muitas questões a contestar. Tem IPTU, a quantidade de pobres em Salvador. Vamos evidenciar essas desigualdades que foram ampliadas nas gestões atuais”, disse um membro da oposição em Salvador.
Escorregou
Uma das pedras no calcanhar do candidato petista ao governo, Jerônimo Rodrigues, são as últimas colocações do ensino estadual baiano nos rankings nacionais, notadamente o Ideb. Na última quinta-feira (25), justamente ao tuitar sobre educação, o ex-secretário da Educação (ou quem administra a conta) aplicou uma crase inexistente: “Firmar parcerias e convênios com os municípios para garantir o direito à creches (sic) e escolas infantis públicas, de qualidade e em tempo integral”. Tem que ficar atento à campanha e ao vernáculo.
Não decola
O ex-secretário nacional de Incentivo à Cultura, André Porciúncula (PL), tem desagradado a cúpula do partido na Bahia que não tem visto o capitão da PM, apesar da presença de Eduardo Bolsonaro em lançamento de campanha no oeste baiano, decolar em sua candidatura a deputado federal. Apesar da aposta, dizem bolsonaristas, ele não tem conseguido fechar apoio com lideranças e vem acumulando agendas vazias.









