sábado, 22 de janeiro de 2022

Rapidinhas: O poderoso ex-prefeito inelegível e o “não” de Bruno Reis à antecipação de disputa na Câmara

Foto: Reprodução

Davi Lemos

Gato por lebre?

Vários ex-prefeitos do interior baiano pretendem concorrer a cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal em 2022. Um deles tem se destacado, e incomodado concorrentes, pela intensa articulação e investimento político em busca de apoiadores: Ricardo Maia (PSD), de Ribeira do Pombal. O problema é que o ex-gestor, que esteve recentemente com o governador Rui Costa (PT) tratando dos planos eleitorais, continua inelegível, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU). Ele é considerado ficha suja desde 2020, após ter tido as contas na prefeitura reprovadas, em 2014, em função da não comprovação da “boa e regular aplicação de recursos federais” recebidos para a área do transporte escolar. Ou seja, quem apoiar Maia pensando em benefícios futuros pode estar comprando “gato por lebre”.

De olho em 2022

Entre outros ex-prefeitos que pretendem concorrer em 2022 estão nomes como José Ronaldo (DEM), de Feira, que quer fazer parte da chapa de ACM Neto (DEM); Paulo César (DEM), de Alagoinhas; Ricardo Rodrigues (PSD), de Lapão; Silva Neto (PDT), de Araci; Marisete Bastos (DEM), de Brejolância e atual primeira-dama de Barreiras; Eures Ribeiro (sem partido), de Bom Jesus da Lapa; e Helder Almeida (DEM), de Camaçari. Isso só para citar alguns.

Sem antecipação

As movimentações para a antecipação das eleições na Câmara Municipal de Salvador receberam dois retumbantes “nãos” do prefeito Bruno Reis (DEM) e do ex-prefeito ACM Neto (DEM). Em ano de eleição tão complicada para o governo estadual, a dupla não quer novidades – os vereadores se articulavam para decidir logo a questão, usando brecha no regimento que não estabelece um dia específico para decidir quem sucederá Geraldo Júnior (MDB). O regimento somente estabelece o dia da posse: 01 de janeiro de 2023. O movimento de antecipação, antes generalizado, atualmente tem articulação de grupo reduzido. “Não deve avançar”, disse um vereador.

Presidente da Câmara de Salvador, Geraldo Júnior (Foto: Reginaldo Ipê)

Despedida?

Na sessão de quarta-feira (15) em que foram aprovados os planos municipais de Cultura e o da Infância e Adolescência, o discurso do presidente da Câmara de Salvador, Geraldo Júnior (MDB), em tom que lembrou despedida, gerou especulações. O emedebista falou de lealdade, de que nunca foi unanimidade, nem quis sê-lo. O vereador Isnard Araújo (PL) até comentou: “Só não acredito que o senhor está em tom de despedida porque vai para Brasília”. Segundo vereadores ouvidos por esta coluna, são os percalços nesse caminho até Brasília que causam a aflição de Geraldo Júnior por conta das “forças ocultas”. Muitos deputados federais com mandato estariam indo para cima de vereadores que apoiariam Geraldo, querendo que eles também saiam candidatos em 2022. Sem coligações, os partidos vão precisar de todos que tenham votos para criar musculatura e fazer a chamada “rabada” também na eleição para a Câmara Federal.

As pedras no caminho da ponte

O arquiteto e professor da Ufba Paulo Ormindo alertou para a sobrecarga de serviços que a ponte entre Salvador e Itaparica trará para a capital que classificou como “desastroso efeito de metropolização”. Ele ainda destacou que a população baiana pagará um ônus muito alto pelo empreendimento. “O preço da ponte já duplicou e está em R$ 9 bilhões. Anualmente, terá que desembolsar cerca de R$ 1,2 bilhão para pagar o consórcio chinês porque a demanda não será suficiente para suprir o que está previsto no contrato”. O professor falou que, para haver um uso razoável da ponte, era necessário ter pelo menos 300 mil pessoas morando em Itaparica – hoje existem cerca de 70 mil.

Dayane Pimentel e Félix Mendonça Jr. (Foto: Reprodução)

Fundão eleitoral

O MBL da Bahia aplaudiu a decisão dos deputados federais Félix Mendonça Júnior (PDT) e Dayane Pimentel (PSL) de votar contra o fundão eleitoral de R$5,7 milhões, na semana passada. “Vocês representam de verdade a nossa população”, postou o grupo conservador nas redes sociais. Os parlamentares foram os únicos dos 39 representantes da bancada da Bahia a votar contra o fundão, mesmo com todas as pressões envolvidas.

Bacelar fora do Podemos?

O líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia, Rosemberg Pinto (PT), afirmou que o atual presidente do Podemos, o deputado federal Bacelar, pode deixar a sigla e buscar abrigo em algumas das legendas que compõem o arco de alianças do governador Rui Costa (PT). Segundo o petista, em entrevista a uma rádio na sexta-feira (18), Bacelar disse a ele que apoiará as candidaturas do PT no estado e nacionalmente. Se apoiará os petistas Jaques Wagner e Lula, não terá como permanecer no partido que tem o ex-juiz federal Sérgio Moro como presidenciável.

E o PSD?

O PSD, presidido no estado pelo senador Otto Alencar, teve importantes baixas na semana que passou. Além da deputada estadual Mirela Macedo, que deixou a base do governo e ingressou na oposição, o partido também perdeu a prefeita de Itatim, Daiane dos Anjos, que anunciou no sábado (18) a saída dela. A gestora seguiu os passos do ex-prefeito da cidade Gilmar Nogueira, que deve apoiar ACM Neto. Os aliados netistas ainda contam com mais deserções de prefeitos tanto do PSD quanto do PP. Tanto deputados quanto prefeitos da base governista dizem que não são muito bem tratados na base de Rui Costa e querem apostar em novos ares a partir de 2023.

Lúcio Vieira Lima sob efeito de anestesia (Foto: Reprodução)

A ‘cara de abestalhado’ de Lúcio

O líder estadual do MDB, Lúcio Vieira Lima, postou uma foto no Instagram, no sábado (18), com a sua “cara de abestalhado” durante a realização de uma tomografia com anestesia. Ele explicou: “Há 15 dias, atrás, fiz uma tomografia com anestesia. Graças a Deus, deu tudo bem, mas não podia deixar de postar para vocês verem a cara de abestalhado que ficamos sob efeito da anestesia”. As gargalhadas foram inúmeras nos comentários. Mas o certo é que o vivaz articulador político de abestalhado só tem a cara, e ainda assim só sob efeito de pesada anestesia.

O filhinho de papai

A briga entre netistas e petistas já deu as caras com força e a sessão da Assembleia Legislativa da Bahia realizada na última terça-feira (14) foi uma demonstração clara. A aprovação de R$ 20 milhões em empréstimos para os municípios atingidos pelas chuvas foi realizada sob acordo das bancadas, mas o deputado Jacó (PT) resolveu falar da operação da PF que investiga irregularidades na Secretaria Municipal de Saúde de Salvador. Paulo Câmara (PSDB) tomou as dores e falou para o petista “olhar primeiro para o seu rabo que fica ali do outro lado, que é o governo da Bahia”. Câmara se referia ao escândalo dos respiradores. Jacó disse que o tucano era “filhinho de papai eleito às custas da máquina da prefeitura”. Até o líder oposicionista Sandro Régis (DEM) se exaltou. “Não é questão de ser filho de papai, é questão de ter ética na política”. Até o sutil e elegante Bobô (PCdoB) teve receio de Régis ter um treco – e 2022 nem começou ainda.

20 de dezembro de 2021, 17:13

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