sexta-feira, 24 de abril de 2026

Rapidinhas: O tão esperado encontro de Bruno e Jerônimo, a nova dor de cabeça de ACM Neto, a cartilha de Otto e os apadrinhados de Zé Ronaldo

Foto: Reprodução

Da Redação

Cara a cara

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) convidou o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), para uma audiência nesta quarta-feira (27), a partir das 15h, na sede da Secretaria de Segurança Pública, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Será o primeiro encontro do tipo entre os dois, embora o chefe do Executivo municipal tenha solicitado ao menos três reuniões institucionais com o petista do primeiro dia de janeiro de 2023 até aqui. As tentativas foram feitas pelo secretário municipal da Casa Civil, Luiz Carreira, mas sem sucesso.

Pautas na mesa

O governador deve tratar com o prefeito da capital de temas como a construção da ponte Salvador-Itaparica, que necessariamente precisa do aval e do apoio do Palácio Thomé de Souza, bem como do licenciamento de terrenos na cidade e de assuntos relacionados a saneamento básico e responsabilidades compartilhadas na área do ensino fundamental. Já Bruno Reis quer falar de temas como incentivos tributários ao sistema de transporte público por ônibus e a intensificação de ações coordenadas nas áreas da mobilidade e da saúde.

Bandeira branca

Nas horas que antecedem ao encontro, a ordem nas cúpulas do governo municipal e estadual é levantar a “bandeira branca”. Ou seja, Bruno Reis não fala mal de Jerônimo Rodrigues, e vice-versa. Os dois vinham trocando farpas pela imprensa sempre que tinham oportunidade, sendo as críticas mais duras oriundas do prefeito, que quer ver o aliado e antecessor ACM Neto (União) no Palácio de Ondina a partir de 2027. Resta saber quanto tempo durará o clima de paz após a audiência.

Dor de cabeça

Aliás, no mesmo momento em que celebrou a reaproximação com a deputada federal Roberta Roma (PL), colocando ponto final nas rusgas com a família do ex-ministro João Roma (PL), ACM Neto ganhou uma nova dor de cabeça: o lançamento da candidatura ao governo da Bahia pelo ex-deputado federal José Carlos Aleluia (Novo). Se Aleluia levar a disputa até o fim – e não apenas como moeda de troca – o ex-prefeito pode ver a direita se fragmentar mais uma vez, como já aconteceu em 2022, quando ex-ministro acabou lhe tirando preciosos votos no primeiro turno.

Votos da direita

Vale lembrar que Aleluia, que já disputou o Senado em 2010 em chapa encabeçada pelo ex-governador Paulo Souto (União), ficando na quinta posição, não tem medo de cara feia. Ele costumava “peitar” até ACM, o original. Além disso, transita bem entre os bolsonaristas. Na pesquisa Quaest divulgada recentemente, pontuou com 1%, contra 4% de João Roma. Se o ex-ministro desistir de concorrer para apoiar ACM Neto de olho numa vaga ao Senado – e tudo caminha para isso depois do aval da esposa do ex-ministro, preocupada com a própria reeleição –, os votos da direita mais conservadora podem migrar para o ex-deputado.

Força demonstrada

Diferente do habitual, quando o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola (PT), recebe políticos em seu gabinete no CAB, em Salvador, desta vez foi o petista quem foi obrigado a se deslocar até o escritório político do senador Otto Alencar (PSD) para uma reunião reservada ocorrida entre os dois na segunda (25). O gesto reforçou o peso do pessedista nas articulações, inclusive para 2026, e demonstrou que a velha raposa de Ruy Barbosa segue protagonista na cena política estadual. Além disso, deu uma baixada na “bola” do secretário.

Café com o “inimigo”

Enquanto Otto Alencar sinalizou fidelidade ao grupo do PT ao receber Loyola, seu colega de partido, o senador Ângelo Coronel, tomou café com o líder da oposição na Assembleia, Tiago Correia (PSDB). O contraste expõe a divisão interna do PSD baiano e antecipa a disputa de rumos para 2026: seguir com os petistas ou se alinhar ao projeto de ACM Neto. Coronel já disse que não aceita ceder a vaga à reeleição para o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).

Disputa quente

Feira de Santana deve se transformar em palco de uma acirrada disputa por uma vaga na Câmara Federal em 2026 no campo de oposição ao governo da Bahia. Três nomes locais fortes brigam pelo apoio do prefeito José Ronaldo (União): o ex-gestor Colbert Martins, ainda sem partido e marcado por uma administração considerada desastrosa; o atual vice-prefeito Pablo Roberto (PSDB); e o empresário Zé Chico, tido como o mais próximo do chefe do Executivo municipal. A corrida pelo apoio do padrinho promete esquentar os bastidores políticos da cidade.

Promessa feita

Colbert Martins, que hoje ocupa um cargo na Prefeitura de Salvador, tem dito a aliados que recebeu de ACM Neto a promessa de ser o candidato do grupo a deputado federal com o apoio declarado de José Ronaldo. Com isso, busca pressionar o próprio grupo político, embora esteja com a popularidade em baixa. Por isso, a briga nos bastidores da Princesa do Sertão se concentra mais intensamente entre Pablo Roberto e Zé Chico.

Dívida investigada

O Ministério Público da Bahia abriu inquérito para apurar possíveis irregularidades na gestão fiscal da Prefeitura de Cairu, no baixo sul. O órgão questiona a proposta de um novo empréstimo de R$ 75 milhões, que elevaria a dívida municipal para R$ 93 milhões, somada a um débito anterior de R$ 18 milhões. O MP também apontou a falta de transparência no processo, ausência de audiência pública e risco às finanças locais, já pressionadas por gastos fixos anuais de R$ 122 milhões.

26 de agosto de 2025, 19:21

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