Rapidinhas: Os ex-amigos de Coronel, a operação vingança de Jerônimo, a vice evangélica de Neto e a fidelidade de Cocá
Vai tarde
Duas das principais lideranças do PSD, que se colocavam como amigas de Angelo Coronel, respiraram aliviadas com a saída do senador do partido. A primeira foi o presidente da sigla na Bahia, Otto Alencar, que chegou a classificar como “insustentável” a permanência do compadre, selando o desfecho. A outra foi a presidente da Assembleia, Ivana Bastos, cansada das especulações de que Coronel negociaria com o PT, para não concorrer à reeleição, o comando do Legislativo no biênio 2027/2028 para o herdeiro e deputado Angelo Filho (PSD).
Cálculo frio
A maior parte das lideranças do PSD preferiu abrir mão do senador a perder as benesses do governo Jerônimo Rodrigues (PT). O cacique do partido garantiu espaço para o primogênito, Otto Alencar Filho, no TCE, como conselheiro. Ivana mira o apoio do Executivo para tentar a reeleição à presidência da Assembleia em 2027. E os parlamentares pessedistas seguem usufruindo da estrutura governista, com cargos e obras nos redutos. Só os filhos de Coronel, Angelo e o deputado federal Diego Coronel (PSD), acompanham o pai — o segundo com menos entusiasmo do que o primeiro.
Pede para sair
Angelo Coronel Filho deve deixar a liderança do PSD na Assembleia. A expectativa é geral entre os colegas de bancada. O tema não foi tratado na reunião de segunda (02) entre Otto e os parlamentares — da qual Angelo, por razões óbvias, não participou. “Esperamos que ele peça para sair, porque fica constrangedor a gente ter que tirar”, resumiu um pessedista à coluna.
Pente-fino
O governador Jerônimo Rodrigues deve iniciar em breve a exoneração dos indicados de Angelo Coronel no governo. O primeiro da fila é o irmão do senador, Carlos Henrique de Azevedo Martins, diretor-executivo da Agerba. O pente-fino deve alcançar cargos menores e também atingir espaços ocupados por aliados dos filhos deputados. Jerônimo aguarda apenas uma conversa com Otto, prevista para quinta (05), para fazer as exonerações.
Fidelidade antiga
Mesmo migrando para a base do governo, o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), reafirmou apoio à reeleição de Angelo Coronel, agora na oposição. “Foi o senador que mais brigou pelas causas municipalistas da história da Bahia. Não é porque mudou de lado que virou ruim”, disse. Um gesto raro de lealdade num ambiente cada vez mais movido a conveniência.
Recado público
O ex-ministro Geddel Vieira Lima usou o Instagram para dizer confiar que Otto não vai pleitear a vice de Jerônimo para o PSD. “Quando se chega a certa idade, o que menos queremos é dedo em riste acusando molecagem. Otto não é disso”, escreveu. A mensagem foi lida nos bastidores como aviso preventivo. Será suficiente? Parlamentares pessedistas acreditam que o partido tem tamanho suficiente para brigar pela cadeira de Geraldo Júnior.
Vice evangélica
Tudo indica que ACM Neto deve escolher um nome do Republicanos para a vice, mas não será, de novo, o ex-deputado Marcelo Nilo, em vias de se aposentar. O nome mais citado é o da deputada federal Rogéria Santos: mulher e evangélica, perfil que agrada a Neto. O detalhe é que ela não é negra, o que mantém a monocromia da chapa, hoje dominada por homens brancos.
Interior falhou
Entre aliados de ACM Neto, havia preferência por um vice do interior com densidade eleitoral. Os dois favoritos, porém, saíram do radar: Zé Cocá, que migrou para a base governista, e o prefeito de Feira, José Ronaldo, que não confia no atual vice, Pablo Roberto (PSDB), para deixar o cargo.
Comando duplo
O marqueteiro Sidônio Palmeira teria acertado com o presidente Lula que ficará à frente da Secom até junho, quando deixará a pasta para assumir oficialmente a campanha da reeleição. Até lá, seguirá dando as cartas nos bastidores. Foi dele a ideia de lançar a pré-candidatura em Salvador, no sábado (07), data do aniversário de 46 anos do PT.











