terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Rapidinhas: Raíssa e os russos, a CPMI de Lídice e o presente recusado

Foto: Reprodução/Instagram

Davi Lemos

Raíssa e os russos

A médica e ex-secretária da Saúde de Porto Seguro, Raíssa Soares, começou a caminhada para ser a indicada de Jair Bolsonaro ao Senado pela Bahia. O presidente, que pode ingressar no PL ou no PP (hoje anunciou que também “namora” o Republicanos), quer poder para indicar metade dos nomes ao Senado no estados e Raíssa conta com essa indicação. Mas, em recente passagem pela Bahia, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) fez, já naquele momento, o seguinte comentário: “faltou combinar com os russos”. Ou seja, além da dificuldade que terá para viabilizar o nome no PL ou no PP, a médica notabilizada pela defesa do uso da hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid pode não ser, ao final, a indicada do presidente.

Lídice e as fake news

A relatora da CPMI das Fake News, Lídice da Mata (PSB/BA), apontou que 15 nomes de indiciciados na CPI da Covid também já foram inqueridos ou citados em reuniões da comissão mista que apura, dentre outros pontos, a existência de um “gabinete do ódio”. “Entre estes 15 nomes, não é surpresa o do presidente da República Jair Bolsonaro e seus três filhos – Flávio (senador), Eduardo (deputado federal) e Carlos (vereador)”, disse a socialista. Ela aponta que os trabalhos da CPMI das Fake News apontarão para a tentativa de conter a disseminação de notícias falsas até a realização das eleições de 2022. Nesse sentido, a parlamentar baiana está alinhada com o ministro Alexandre de Moraes (STF), que prometeu prisão a quem disseminar notícias falsas no próximo pleito.

Bolsonaristas preferem o PL

Diante da indefinição sobre o destino partidário do presidente Jair Bolsonaro – se ingressa no PL ou no PP – os bolsonaristas baianos ouvidos por esta coluna apresentam já uma preferência. Analisando as atuais bancadas estadual e federal das siglas na Bahia, preferem o PL. “É um bom partido e não tem deputados com peso tão grande como o PP. É mais difícil estar em um partido e concorrer com um Cacá Leão, Cajado, Carletto e que tem nomes de peso também na Assembleia”, disse um bolsonarista.

Foto: Divulgação/CMS

Presente recusado

A última semana foi recheada de críticas públicas de vereadores da base do governo na Câmara Municipal de Salvador (CMS) tanto ao prefeito Bruno Reis quanto a componentes de seu secretariado. Em uma das sessões, o vereador Palhinha (DEM) reclamou que esperada há 30 dias por uma agenda com o prefeito. O líder da bancada, Paulo Magalhães Jr, avisou: “Quinta-feira vossa excelência será atendido”. “Quinta-feira é meu aniversário. Não quero esse presente não”, respondeu Palhinha.

Guerrilha contra o secretário

Quem também se retou foi o vereador Leandro Guerrilha (PL), e a artilharia do edil foi apontada contra o secretário municipal da Saúde, Leo Prates (PDT). Guerrilha cobrou que, quando forem atendidas indicações dos vereadores, os mesmos sejam informados para comparecer às entregas dos serviços ou obras. “Ele [Léo Prates] sabe o que é ser vereador. É ter reconhecidas as suas autorias. Lamento quando vejo um ex-vereador não reconhecer o papel de um vereador”, criticou o liberal. Vereadores da base criticam que Prates, pré-candidato a deputado federal, monopoliza as ações da pasta que comanda em seu benefício.

Assunto proibido

Na coletiva de imprensa que realizou na última sexta-feira (29), o ex-prefeito ACM Neto (DEM) disse não guardar rancor de ninguém, referindo-se aos amigos ou ex-amigos João Roma, Rodrigo Maia e Guilerme Bellintani. Neto ressaltou que reatou as conversas com Maia e, quanto a Bellintani, com quem foi visto em recente corrida pela Praia do Forte, disse que há somente um assunto proibido: o Esporte Clube Bahia. O democrata é torcedor fanático do Esquadrão e uma conversa sobre o desempenho do time pode azedar mais a amizade que a possibilidade aventada em 2020 de Bellintani disputar a Prefeitura de Salvador pelo time do Correria (governador Rui Costa).

Divulgação / Arquivo Pessoal

Ataques contra Michele

A pesquisadora baiana Michele Prado, autora do livro “Tempestade Ideológica – Bolsonarismo: A Alt-Right e o Populismo I-Liberal No Brasil”, sofreu, na última semana, ameaças de agressão e até de estupro nas redes sociais, o que a fez até anunciar que deixaria as redes sociais, por onde divulga o referido livro. Michele aponta, na obra, as origens dos pensamentos que dão base ao bolsonarismo e alerta que um novo nome que seja eleito baseado nessa esteira de pensamentos, trará ainda mais riscos à democracia brasileira.

A chapa de Marinho

O presidente do Republicanos na Bahia, deputado federal Márcio Marinho, emitiu nota dura contra o prefeito de Mata de São João, João Gualberto (PSDB), que havia afirmado que “de jeito nenhum” João Roma será candidato a governador da Bahia em 2022. “Não iremos aceitar de forma alguma é que nenhum líder político de outros partidos opinem na articulação e decisão do Republicanos”, disse Marinho. Em setembro, o mesmo Marinho emitiu nota em que desautorizava movimentação de Roma que dizia estar de braços abertos para receber José Ronaldo em sua chapa. Ou seja, a única chapa quente do Republicanos é a definida por Márcio Marinho, que quer vaga na majoritária que será encabeçada por ACM Neto. As coisas podem melhorar para Roma se o namoro de Bolsonaro com o partido virar casamento.

Representante da Chapada

Lideranças da Chapada Diamantina reclamam que não têm representantes da região no Congresso Nacional e nem na Assembleia. Com mais de 3 milhões de votos, uma eleição para governo, por exemplo, pode ser decidida na região chapadeira. E a reclamação é coerente, já que os políticos só aparecem na Chapada de quatro em quatro anos. Um representante seria o ideal para defender as demandas, como uma universidade federal e mais infraestrutura para o turismo. As estradas estão horríveis. As demandas estão aí, só não há quem as represente de fato.

01 de novembro de 2021, 15:36

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