Rei da Espanha não é convidado para posse de presidente do México
Da Redação
A relação diplomática entre a Espanha e o México está em crise, a cinco dias da posse da próxima presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, para a qual o rei da Espanha, Felipe VI, não foi propositalmente convidado. A futura chefe de Estado alega que ele “nunca reconheceu publicamente os prejuízos causados durante o período colonial”.
Em “sinal de protesto” contra essa “exclusão” “inexplicável” e “inaceitável”, a Espanha boicotou a cerimônia, que marca a chegada ao poder da primeira mulher presidente da história do México.
“A Espanha e o México são nações irmãs. Portanto, consideramos absolutamente inaceitável que a presença de nosso chefe de Estado seja excluída”, declarou o primeiro-ministro Pedro Sanchez, na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, na quarta-feira (25/9).
O rei espanhol Felipe VI participou de “todas as cerimônias de posse” na América Latina “como príncipe e também desde que se tornou rei e chefe de Estado”, em 2014, acrescentou Sanchez.
O próprio chefe do governo social-democrata espanhol, Pedro Sanchez, foi convidado em julho para a cerimônia de investidura, explicou a presidente eleita do México, Claudia Sheinbaum, na quarta-feira. Mas não o rei da Espanha, porque ele se recusa a reconhecer os “danos” causados pela colonização de cinco séculos atrás, disse ela em comunicado à imprensa.
A presidente eleita lembrou que o rei da Espanha nunca respondeu a uma carta do atual presidente mexicano, Andrés Manuel Lopez Obrador, enviada em 2019. O chefe de Estado, de esquerda, propôs que ele reconhecesse “pública e oficialmente” os “danos” causados pela colonização espanhola (1521-1821).
“Infelizmente, essa carta nunca foi respondida diretamente, como deveria ser a melhor prática nas relações bilaterais”, acrescentou Sheinbaum, que, assim como o presidente, pertence ao partido de esquerda Morena. Há uma semana, o México publicou a lista de convidados para a cerimônia de posse em 1º de outubro, na Cidade do México.
O rei da Espanha, Felipe VI, não consta da lista de convidados divulgada, que inclui os principais líderes da esquerda latino-americana, a começar pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e a primeira-dama dos Estados Unidos, Jill Biden.
Sanchez expressou sua “enorme frustração”, especialmente porque o México é administrado por “governos progressistas”. “Nós também somos um governo progressista e parece que não conseguimos normalizar nossas relações políticas”, lamentou. Em sua declaração, Sheinbaum disse que havia conversado com Sanchez havia dois dias.







