Rússia intensifica ataques aéreos na Ucrânia e admite estar em guerra pela 1ª vez
Da Redação
Uma semana após o início do pleito que reelegeu Vladimir Putin para mais seis anos à frente do Kremlin, a Rússia promoveu um dos maiores ataques aéreos já feitos contra a Ucrânia e chamou o conflito iniciado em 2022 de guerra pela primeira vez.
A região mais afetada foi a de Kharkiv, no norte do país, onde 700 mil ficaram sem energia. É de lá que saem boa parte dos ataques contra o sul russo, o que sugere desde uma advertência até o início da ação nesta nova frente da guerra. Também foram bombardeadas Odessa (sul), Dnipropetrovsk (sudeste) e Poltava (centro).
“Foi o maior ataque combinado contra o sistema de energia”, disse o presidente da estatal energética UkrEnergo, Volodimir Kudritski, em nota. Houve blecautes em sete regiões. Os russos atingiram oito vezes a maior hidrelétrica do país, a Dnipro, mas sua barragem não corre risco de rompimento.
O Ministério da Defesa em Moscou disse que “todos os objetivos foram alcançados” e que a ação visava retaliar as incursões promovidas por comandos rebeldes russos armados pela Ucrânia em Belgorodo e Kursk, nas semana passada.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, desenhou a nova lógica do país em um artigo na revista Argumentos e Fatos e em sua fala diária com jornalistas nesta sexta (22). Até aqui, o eufemismo oficial para a o conflito era SVO (sigla russa para operação militar especial), de uso obrigatório na imprensa pelo órgão regulador de mídia local.
“Nós estamos em um estado de guerra. Sim, ela começou como uma operação militar especial, mas assim que esse grupo [de países que apoiam Kiev] se formou, quando o Ocidente coletivo virou participante do lado da Ucrânia, isso virou uma guerra para nós”, afirmou.
Para ele, o fato de os russos ainda não controlarem totalmente os quatro territórios que anexaram ilegalmente em setembro de 2022, no sul e no leste da Ucrânia, significa que “de fato há áreas ocupadas da Rússia” pelos inimigos.
A pirueta retórica, dado que o Kremlin tomou tais áreas, vem no momento em que os ucranianos passaram a atacar com intensidade Belgorodo, região fronteiriça ao sul, fazendo Putin prometer uma zona-tampão dentro do vizinho para evitar o alcance das armas rivais.
Mas não é só discurso, embora até Putin e outras autoridades já tenham chamado a guerra de guerra em falas ao longo dos dois anos da invasão que promoveu. Ao limitar a ação a uma operação, o Kremlin minimizava para o público interno seu escopo, apesar dos enormes esforço e perdas envolvidos —analistas russos falam em cerca de 100 mil soldados mortos até aqui.
Ao assumir o conflito como uma guerra, após ter convertido parte da produção industrial e anunciado ter aumentado em 150% a produção de munições diversas em 2023, a Rússia se abre a medidas mais drásticas, como novas mobilizações de reservistas. Apenas uma, de 320 mil homens, foi feita até aqui, e altamente impopular.
De todo modo, não houve uma declaração formal de guerra, o que seria uma escalada grande por permitir a mobilização geral do país de forma oficial.








