Sessão na Câmara de Salvador homenageia presos políticos e vereador cassado pela ditadura em 1975
Da Redação
A Câmara Municipal de Salvador realiza hoje (5) uma sessão especial em homenagem aos presos políticos da “Operação Radar” na Bahia, deflagrada em 5 de julho de 1975, sob comando do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais algozes da ditadura, com o auxílio do delegado Sérgio Paranhos Fleury.
A iniciativa é da vereadora Maria Marighella (PT), neta do guerrilheiro Carlos Marighella, assassinado pelo regime militar.
A vereadora diz que são cerca de 40 mulheres e homens dentre as milhares de brasileiras e brasileiros vítimas das graves violações de direitos humanos praticadas durante o regime autoritário.
Entre essas pessoas está o então vereador do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) Sérgio Santana, cassado pela ditadura civil-militar, cujo mandato jamais foi restituído e que é um dos convidados do evento.
A sessão também contará com a participação de seu pai, o ex-deputado e advogado Carlos Augusto Marighella, “outro destes homens usurpados pelo Estado, que estava preso quando do nascimento da filha, em 1976”.
A sessão, como explica a vereadora, “reivindica o direito constitucional à memória, verdade e justiça ao dar publicidade a um acontecimento insistentemente apagado dos relatos históricos sobre Salvador”. Sob coordenação do Destacamento de Operações e Informações (DOI) da 6ª Região Militar, aquela que foi apelidada de “Operação Acarajé” pelos seus malfeitores ocorreu há exatos 46 anos e urge por constar na agenda das memórias da cidade.
Operação Radar na Bahia
A vereadora Marighella explica que a ação fez parte de um conjunto de operações articuladas nacionalmente pela polícia política da ditadura civil-militar para perseguir, prender, torturar e matar opositores políticos vinculados ao Partido Comunista Brasileiro. Na Bahia, a operação tinha o objetivo de prender os dirigentes do PCB do diretório estadual, que vinham rearticulando os sindicatos e construindo uma tendência política, a “Ala Jovem do MDB”, no único partido de oposição consentido pelo regime civil-militar. Alguns militantes ficaram quase dois anos na prisão.
Entre as cerca de 40 pessoas presas e levadas para o centro clandestino conhecido como “Fazendinha”, localizado nas proximidades de Alagoinhas, esteve o então vereador de Salvador pelo MDB Sérgio Santana, que posteriormente foi condenado como “subversivo” e teve seu mandato cassado. Os detidos, que viviam em legalidade, sem qualquer mandato, flagrante ou justificação, foram sequestrados por homens que se apresentaram como policiais, que os algemaram, encapuzaram e conduziram forçadamente ao centro clandestino, onde foram submetidos a interrogatório e torturas, como prossegue a vereadora.








