Show de Wesley Safadão em Irecê por R$ 1,5 milhão entra na mira de órgãos de controle e pode ser cancelado
Da Redação
O show do cantor Wesley Safadão em Irecê, anunciado como a única apresentação do artista na Bahia durante o São João de 2026, passou a ser alvo de investigação dos órgãos de controle e pode não acontecer. Contratado pela prefeitura por um cachê de R$ 1,5 milhão, o espetáculo integra a programação do “São João do Século”, mas teve os pagamentos suspensos por determinação do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia.
A medida foi adotada após representação do Ministério Público do Estado da Bahia, que aponta descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre órgãos de fiscalização e municípios baianos para estabelecer parâmetros nas contratações artísticas de festas públicas.
Segundo o MP-BA, o valor contratado para o show de Wesley Safadão supera em mais do que o dobro o limite de referência de R$ 700 mil definido na nota técnica conjunta elaborada pelo Ministério Público, tribunais de contas e pela União dos Municípios da Bahia.
Além de Safadão, outras atrações da programação junina de Irecê também foram contratadas por valores acima dos parâmetros estabelecidos. Entre elas estão Zé Neto & Cristiano (R$ 905 mil), Ana Castela (R$ 900 mil), Nattan (R$ 900 mil), Maiara & Maraisa (R$ 784 mil) e Menos é Mais (R$ 750 mil).
Na representação encaminhada ao TCM, o Ministério Público argumenta que o município não apresentou justificativas suficientes para os reajustes aplicados aos cachês. Em alguns casos, os aumentos ultrapassariam 70% em relação aos valores de referência utilizados pelos órgãos de controle.
Dados do Painel Nacional de Contratações Públicas (PNCP) indicam que a Prefeitura de Irecê prevê gastar cerca de R$ 10,2 milhões com atrações musicais nos festejos juninos deste ano. De acordo com o MP-BA, o montante representa aproximadamente 36,6% de todo o orçamento municipal destinado à cultura e mais de 10% da receita corrente própria do município.
Os órgãos de fiscalização afirmam que a atuação não busca impedir a realização das festas juninas, mas assegurar que os gastos públicos observem critérios de razoabilidade, transparência e compatibilidade com a capacidade financeira dos municípios.








