Tenente da Rota baleado na cabeça, irmão de Eloá Pimentel, é investigado por morte de jovem durante operação em Suzano
Da redação
O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, baleado na cabeça no último sábado (27), é investigado pela morte de um jovem de 22 anos durante uma operação da Polícia Militar realizada em janeiro, em Suzano, na Grande São Paulo. Irmão de Eloá Cristina Pimentel, assassinada pelo ex-namorado em 2008, o policial permanece internado em estado grave, porém estável.
Ronickson e o cabo Edson Andrade Valério respondem pela morte de João Francisco Silva de Sousa. De acordo com o inquérito militar, o tenente efetuou dois disparos de fuzil, enquanto o cabo atirou outras duas vezes com uma pistola. A vítima foi atingida por quatro tiros e morreu no local.
A ocorrência teve início após uma denúncia de armazenamento de drogas em Itaquaquecetuba. Após a prisão de um suspeito e a apreensão de armas e entorpecentes, os policiais seguiram para uma chácara em Suzano, onde localizaram 166 tijolos de maconha e porções de cocaína.
Os agentes alegam que João reagiu à abordagem e houve troca de tiros. No entanto, imagens da câmera corporal do tenente não registram disparos efetuados pela vítima. A gravação mostra Ronickson ordenando “perdeu, perdeu, ladrão” antes dos tiros serem ouvidos.
A companheira de João apresentou versão diferente à investigação. Segundo ela, foi retirada da residência por um policial e ouviu os disparos já do lado de fora do imóvel.
Embora a Polícia Militar tenha concluído o inquérito apontando legítima defesa e sem indícios de crime, o Ministério Público Militar contestou o entendimento e defendeu que o caso fosse submetido ao Tribunal do Júri. Em abril, a investigação foi remetida à Justiça comum.
O promotor Alexandre Acerbi também solicitou novas diligências, alegando a ausência de laudos de confronto balístico e de depoimentos formais que possam esclarecer se houve efetivamente troca de tiros e se o uso da força pelos policiais foi legal.
Enquanto a investigação segue em andamento, Ronickson luta pela própria vida. O tenente foi baleado por ocupantes de uma motocicleta poucos minutos após deixar uma academia em São Caetano do Sul. Dois homens, de 40 e 52 anos, tiveram a prisão temporária decretada, mas a motivação do atentado ainda é investigada.
Integrante da Rota desde 2019, Ronickson ingressou na Polícia Militar em 2009, após passagem pela Marinha como fuzileiro naval, e tornou-se oficial da corporação em 2015, após concluir a formação na Academia do Barro Branco.








