segunda-feira, 4 de maio de 2026

Terreiro de Lauro de Freitas repudia prefeitura por tentativa de fechar creche comunitária

Foto: Reprodução

Da Redação

O terreiro Ilé Asé Òpó Aganju, localizado em Lauro de Freitas, divulgou nesta sexta-feira (9) uma nota de repúdio contra a prefeitura do município. Segundo a entidade, a manifestação é motivada pela tentativa de fechamento da Creche Casulo Vovó Ana, que atende crianças em situação de vulnerabilidade social na comunidade de Vila Praiana.

De acordo com o terreiro, a creche funciona há mais de 39 anos e foi fundada pelo babalorixá Balbino Daniel de Paula, de 85 anos, reconhecido por sua atuação religiosa, cultural e comunitária ao longo de mais de seis décadas.

Na nota, a Sociedade Beneficente Ilé Asé Òpó Aganju classifica a iniciativa da gestão municipal como “arbitrária, desproporcional e desrespeitosa”.

“É inadmissível que o ente público responsável constitucionalmente por assegurar o direito fundamental à educação infantil adote práticas administrativas que resultem no encerramento de creches comunitárias, sobretudo em comunidades historicamente vulnerabilizadas”, afirma o texto.

O Òpó Aganju destaca ainda que, ao longo de 39 anos de funcionamento, a creche nunca recebeu auxílio financeiro direto da prefeitura, tendo contado apenas com uma colaboração restrita no quadro de funcionários há cerca de 16 anos, o que, segundo a entidade, não descaracteriza seu caráter comunitário e filantrópico.

“Causa ainda indignação o fato de que, na atual gestão municipal, observa-se a priorização de investimentos em eventos festivos, em detrimento de políticas públicas estruturantes, como a educação infantil, o que evidencia inversão de prioridades administrativas, em afronta ao princípio da eficiência e do interesse público”, diz outro trecho da nota.

Esclarecimento

Procurada, a Prefeitura de Lauro de Freitas divulgou nota de esclarecimento na qual nega que tenha sido deliberado o fechamento da Creche Casulo Vovó Ana. De acordo com a gestão municipal, durante reunião realizada na tarde da última quinta-feira (8), com representantes do Aganjú, foi apresentada apenas uma proposta preliminar de transformação do espaço em um Centro de Referência Étnico-Racial Vovó Ana.

Segundo a prefeitura, a proposta teria como foco a preservação da memória do terreiro, o letramento racial e a valorização da ancestralidade. A administração municipal ressaltou que não houve formalização de acordo nem decisão definitiva, e que o tema segue em fase de diálogo.

A prefeitura afirmou ainda que, caso a proposta viesse a ser aceita, o atendimento educacional das crianças atualmente matriculadas estaria integralmente assegurado em uma unidade de Educação Infantil localizada a cerca de 300 metros do local, garantindo, segundo a gestão, o pleno direito à educação.

 

10 de janeiro de 2026, 15:14

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