domingo, 10 de maio de 2026

Toffoli reage a cobranças no caso Banco Master, autoriza nova operação e critica atuação da Polícia Federal

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Da redação

A nova fase da investigação sobre o Banco Master provocou uma reação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do inquérito, diante das cobranças públicas e internas sobre sua condução do caso. Nesta quarta-feira (14), o magistrado autorizou a deflagração da segunda fase da operação Compliance Zero, com ações contra 42 alvos, e fez críticas diretas à atuação da Polícia Federal (PF).

Segundo relatos de pessoas próximas, Toffoli tem manifestado desconfiança em relação à atuação de autoridades ligadas ao governo federal envolvidas na apuração, especialmente a PF. Em conversas reservadas, o ministro avaliou que a conduta de investigadores contribuiu para desgastar sua imagem e a de outros ministros do STF, ao criar a percepção de inércia na investigação sobre o banco.

O magistrado também demonstrou incômodo com declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que afirmou nesta semana que o caso exige cautela, pois o país pode estar diante da “maior fraude bancária da história”. Para interlocutores, ao autorizar a nova fase da operação, Toffoli buscou sinalizar publicamente que o inquérito não será interrompido sob sua relatoria e que não há proteção ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Apesar disso, o ministro segue sendo alvo de questionamentos sobre a condução do caso. Críticas recaem sobre o sigilo imposto ao inquérito e decisões que geraram reação negativa no mercado financeiro, que saiu em defesa do Banco Central. Para críticos, haveria uma tentativa de blindagem de Vorcaro, com pressão sobre o BC e a PF.

Toffoli assumiu o controle do inquérito em dezembro do ano passado, após a defesa de Vorcaro recorrer ao STF, alegando que a investigação deveria tramitar na Corte por envolver menção a um negócio imobiliário com o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA). Desde então, decisões como a determinação de acareação entre investigados e um diretor do Banco Central intensificaram as críticas.

No despacho que autorizou novas buscas contra Vorcaro e o empresário Nelson Tanure, além da prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, Toffoli cobrou explicações do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pelo descumprimento de prazos fixados para a deflagração da operação. O pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi feito em 6 de janeiro e autorizado no dia seguinte, mas a operação só ocorreu nesta quarta-feira.

Investigadores afirmam que ações dessa natureza exigem tempo de preparação, como levantamento de endereços e avaliação de riscos. Ainda assim, o atraso foi tratado pelo ministro como decisivo para endurecer sua postura. Toffoli determinou que todo o material apreendido fique lacrado e sob custódia da PGR, medida interpretada por integrantes da PF como sinal de desconfiança quanto a possíveis vazamentos.

Para investigadores ouvidos sob reserva, o movimento do ministro reforça sua autoridade sobre o inquérito e indica que ele controla o grau de pressão exercido sobre Daniel Vorcaro no avanço das investigações.

15 de janeiro de 2026, 13:30

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