Wagner critica aprovação do PL Antifacção e diz que debate virou “palco eleitoral”
Da Redação
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), fez duras críticas ao Projeto de Lei Antifacção aprovado pela Câmara dos Deputados na noite de terça-feira (18). O texto, relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), cria novos crimes, endurece penas, amplia poderes de investigação e estabelece regras especiais para líderes de organizações criminosas, mas provocou divergências entre governo e oposição durante sua tramitação.
Em entrevista ao portal ICL Notícias, Wagner afirmou que o debate foi conduzido de forma “açodada” e guiado por interesses eleitorais, o que, segundo ele, compromete a qualidade da proposta. “O drama, a dificuldade já se coloca até pelo número de relatórios que o relator apresentou. Se não me engano, já fomos para o quinto relatório. Significa que é uma coisa que está sendo açodada, que não está sendo feita com o espírito que deveria”, disse.
O senador reforçou que o tema da segurança pública precisa ser tratado de maneira técnica e não como instrumento político. “Eu vou repetir o que eu já disse: se quiser tratar a segurança com seriedade, tem que tirar ela do palco eleitoral. Enquanto for palco eleitoral, para fulano apontar dedo um para o outro, nós não vamos pra lugar nenhum.”
Wagner criticou ainda mudanças propostas por Derrite ao longo do processo, especialmente as que afetariam a atuação da Polícia Federal — ponto mais sensível da versão original enviada pelo governo. No primeiro relatório, o deputado retirava a PF de etapas centrais das investigações, o que gerou forte reação do Executivo.
“O primeiro relatório começa a tirar a Polícia Federal. Então, parece um relatório que quer proteger e não atacar o crime organizado, ou proteger alguém”, afirmou o senador. Ele também mencionou preocupações sobre o perdimento de bens previsto no texto, destacando que a Receita Federal teria alertado para riscos jurídicos: “A Receita arrepia os cabelos. Se você acha um conto é lavando e o perdimento só é depois do trânsito ser julgado. Como é que vai ficar isso?”
Agora, o projeto segue para o Senado, onde será relatado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), também relator da CPI do Crime Organizado.








