Bebianno diz que filho do presidente atrapalhou segurança em dia de facada de Adélio em Bolsonaro
Redação Toda Bahia
O ex-ministro Gustavo Bebianno, em entrevisa ao Valor publicada na sexta-feira (26), deu uma declaração que rememora, mas também reinterpreta um episódio crucial para as eleições de 2018 e para a vida do presidente Jair Bolsonaro. Bebianno afirma que, se Carlos Bolsonaro não estivesse no comitiva com o pai em Juiz de Fora, em 6 de setembro, o presidente não teria sido golpeado por Adélio Bispo de Oliveira – ao menos daquela forma.
Pelo que há na matéria do Valor, aquele teria sido o ponto de virada na relação de confiança entre Bebianno e o presidente. O ex-ministro diz que, estivesse no carro com Bolsonaro, o presidente teria usado o colete balístico e não teria se ferido tanto com a facada. No momento do atentado, lembra o ex-ministro, Carlos estava brincando com seu drone. “Ele atrapalhou a segurança, sem dúvida”, disse ao Valor.
Gustavo Bebianno caiu ainda no segundo mês de governo, após ataques nas redes sociais realizados por Carlos Bolsonaro, chamado pelo presidente de “Pit-bull” – os ataques foram referendados pelo presidente. Bebianno diz ainda que sua queda tem relação com a chamada ala ideológica do governo, ligada ao filósofo Olavo de Carvalho, a quem o ex-ministro trata como “astrólogo” – seriam os integrantes de uma ala “paulista” mais radical.
As críticas de Bebianno não são direcionadas somente a Carlos, mas aos outros dois filhos parlamentares: o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PSL/RJ). Segundo Bebianno, não eram muito chegados ao pai e fizeram das carreiras políticas um “ganha-pão”.
Prefeitura do Rio
Embora tenha uma experiência que descreveu como angustiante, diz que encararia a disputa da Prefeitura do Rio de Janeiro. Nesse ponto, apontou uma de suas divergências com Bolsonaro: “Amo o Rio e acho que o Bolsonaro nunca se preocupou com o Rio. Era uma de nossas divergências”, disse Bebianno ao Valor. Ele diz que as conversas sobre o tema estão “vindo por gravidade”, que não as procura.
Na entrevista ao Valor, Bebianno isenta Bolsonaro por supostos atos ilegais cometidos por Fabrício Queiroz, ex-assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. Também diz que o presidente não tinha relação com o vizinho de condomínio Ronnie Lessa, acusado pela morte da vereadora Marielle Franco. “O Jair é muito reservado. Pouca gente frequenta a casa dele”, disse ao Valor.
Imprensa e poderes
O ex-ministro diz que crê no sucesso do governo: “A equipe é boa”. O único risco que apontou foi a possibilidade, que ele apontou ser remota, de o presidente peitar as instituições da República. “Bolsonaro não tem respaldo nas Forças Armadas para confrontar outros poderes”, disse, segundo o Valor.
Gustavo Bebianno disse que um de seus embates com Carlos Bolsonaro foi sua ideia de que o presidente deveria falar com os grandes meios de comunicação, enquanto o filho do presidente prefere o embate nas redes sociais. O ex-ministro, no momento após a vitória no segundo turno das eleições, ganhou o embate com Carlos, e o presidente falou ao Fantástico, com sinal compartilhado para outras emissoras. Mas as feridas já estavam abertas e, como demonstrou a posterior demissão do cargo de ministro, não foram estancadas.
Bebianno disse que, em Brasília, não se trabalha. “80% do tempo é gasto em futrica, intrigas”, relatou. O presidente da República e os filhos parlamentares do presidente não quiseram se posicionar sobre as declarações de Gustavo Bebbiano, informou o Valor.








