Declarações mais radicais de Bolsonaro são influenciadas por críticas aos filhos, dizem assessores próximos
Redação
A Folha de S. Paulo apurou junto a assessores próximos do presidente Jair Bolsonaro que um dos fatores que o levaram a acirrar o discurso sobre diversos assuntos nas últimas semanas têm relação com as críticas à indicação de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), como embaixador do Brasil nos EUA.
Segundo esses assessores, o presidente confidenciou, em conversas reservadas com aliados, que vê nos ataques a Eduardo uma ofensa pessoa e que, por isso, seria sua obrigação sair em defesa pública do filho. Outro caso que irrita o presidente é o andamento das investigações envolvendo o seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).
Pessoas próximas a Bolsonaro afirmam ainda que ele é bastante sensível a qualquer questão que atinja sua família e pouco escuta sua equipe sobre o tom que adotará nas declarações.
Nas últimas semanas, o presidente atacou os jornalistas Miriam Leitão e Glenn Greenwald, se referiu a nordestinos como “paraíbas”, de forma pejorativa, criticou o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Ricardo Galvão, pela divulgação de dados sobre desmatamento, chamou de “idiota” uma pergunta feita por um jornalista sobre a carona dada a familiares em um helicóptero da FAB em maio, para o casamento do filho, Eduardo, e, mais recente, ironizou o desaparecimento do pai do presidente da OAB durante a ditadura militar.
Paralelo ao discurso radical, Bolsonaro tem adotado agendas mais populistas, principalmente marcando presença em jogos de futebol e participando de programas de grande audiência, como os de Silvio Santos e Ratinho. Outro fator apontado nos bastidores para esse discurso mais radical é o fato de o presidente se sentir mais confortável politicamente com a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara
Ainda de acordo com a Folha, em março o Palácio do Planalto esboçou um plano para limitar comentários do presidente, diante de declarações sobre a reforma da Previdência que incomodaram a equipe econôpomica. Mas, apesar dos esforços, um ministro, que falou em tom desabafo, segundo a Folha, afirmou: “Bolsonaro é incontrolável”.








