Governo Bolsonaro quer turbinar Bolsa Família para derrotar Lula até na Bahia
Fredy Xisto
O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reconhece que, se as eleições fossem hoje, dificilmente teriam condições de vencer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) numa disputa extremamente polarizada, como se configura o cenário atual. Por isso, os próximos meses serão decisivos para o que os aliados do mandatário da nação, entre eles o ministro da Cidadania, João Roma, estão chamando de uma virada de mesa. São dois os focos: melhorar a economia e, principalmente, fortalecer as ações assistencialistas.
A estratégia visa, inclusive, dar musculatura a Bolsonaro para derrotar Lula na Bahia e na região Nordeste, onde o PT tem mais força política e popular. Ontem (02), o governo entregou ao Congresso a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reformula o Bolsa Família e aumenta o valor das parcelas do benefício. De acordo com a proposta, os beneficiários receberão, em média, R$ 400, montante acima dos R$300 previstos pelo Ministério da Economia.
“Queremos fortalecer a transferência de renda, ampliando a quantidade de beneficiários (do Bolsa Família), mas tornando esses programas não apenas uma teia de proteção para a população em situação de vulnerabilidade como também propiciando novas ferramentas para que essas pessoas possam sim alcançar uma melhor qualidade de vida”, disse João Roma.
Para o governo, é fundamental ampliar o Bolsa Família. Como informou o jornal O Globo de hoje (03), Bolsonaro estuda até lançar uma espécie de “bônus” para os beneficiários do programa, por meio da criação de um fundo que ficaria fora do teto de gastos, abastecido com a venda de estatais e até lucros do pré-sal. Há ainda a possibilidade dos contemplados terem direito a uma linha de crédito especial mediante empréstimo consignado com juros de 1,2% ao mês.
A ideia de um bônus do Bolsa Família vinculado ao novo fundo ampliaria a renda a ser colocada à disposição dos beneficiários do programa. O governo vem trabalhando com um pagamento médio de R$ 300 para 17 milhões de pessoas — hoje o benefício é de R$ 192 em média para 14 milhões de cidadãos.
A ampliação do Bolsa Família com a criação do fundo tem sido discutido com o presidente por Roma e pelos ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira, e da Economia, Paulo Guedes, com a participação ativa dos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).








