João Roma está entre os 11 novatos do Congresso que se destacaram até aqui
Da Redação
Reportagem publicada hoje (08) no jornal Folha de S. Paulo revela que do grupo de 120 novatos na Câmara e no Senado apenas 11 conseguiram, em algum momento, se destacar em posições relevantes em comissões dentro do Congresso Nacional. Outros dois foram líderes do governo Jair Bolsonaro Bolsonaro (sem partido) e três alçaram voos maiores, entre eles João Roma (Republicanos), que se licenciou do mandato para ser ministro da Cidadania.
Além de Roma, que chegou ao Congresso com o apoio fundamental do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) e hoje se credencia para disputar o governo da Bahia em 2022 com o apoio de Bolsonaro, quem obteve sucesso fora do Parlamento foi o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a titular da Secretaria de Governo do Planalto, Flávia Arruda (PL-DF).
Votações estrondosas
Alguns dos novatos chegaram ao Congresso com estrondosas votações. Uma parte, oriunda em especial de quartéis, delegacias ou das ruas que forçaram a queda de Dilma Rousseff (PT), surfou a onda de direita que elegeu Jair Bolsonaro e fez do PSL — ex-sigla do presidente — a segunda maior bancada da Câmara.
Eram os casos da jornalista Joice Hasselmann (SP), a segunda deputada mais votada do país, de Carla Zambelli (SP), expoente dos protestos pelo impeachment de Dilma, do ator Alexandre Frota (SP) e de vários candidatos cujo nome na urna começavam com general, coronel, capitão e delegado.
Outra parte, que reunia políticos de centro-direita e centro-esquerda, emplacou representantes por meio de entidades que pregam a renovação na política ou a sua qualificação — como a jovem da periferia de São Paulo Tabata Amaral (sem partido-SP), que nunca ocupou posição de destaque no Congresso.
Uma terceira leva se amparou apenas no sucesso que fazia nas redes, como a pastora e cantora gospel Flordelis (PSD-RJ) e o empresário e youtuber Luis Miranda (DEM) — que se elegeu pelo DF mesmo morando havia quatro anos nos Estados Unidos, de onde fazia vídeos com afirmações como a de que “qualquer um pode ter uma Lamborghini”.
Em todas essas frentes havia o discurso de se contrapor à “velha política”, carcomida por mordomias, escândalos e relações promíscuas de cargos e verbas. Análise feita pela Folha da trajetória e desempenho desses 120 novatos, porém, mostra que a realidade foi distinta da teoria, salvo exceções.
Verbas e escândalos
A análise dos generosos gastos públicos com os deputados mostra, por exemplo, que não houve economia relevante na cota parlamentar — de R$ 30,8 mil a R$ 45,6 mil por mês — e na verba para contratação de até 25 assessores — R$ 112 mil ao mês por deputado. A verba de gabinete (contratação de assessores) gasta em 2020 foi a maior dos últimos cinco anos, R$ 650 milhões. Boa parte dos novatos foi eleita com a promessa de que gastariam menos recursos públicos.
Os escândalos também não passaram ao largo do pelotão de novatos. Com 678,5 mil votos, a senadora Juíza Selma (MS) se elegeu pelo PSL adotando um forte discurso de combate à corrupção, o que lhe rendeu o apelido de “Moro de saia” — em referência a Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato. Já no Podemos, foi condenada pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico e compra de voto e perdeu o mandato.
A pastora e cantora gospel Flordelis (PSD-RJ) chegou à Câmara com a maior votação do Rio para uma candidata a deputada federal. Tinha como principal cartão de visitas o trabalho missionário em favelas, tendo adotado 55 filhos. Nesta semana deve também ter o mandato cassado sob a acusação de ter mandado matar o marido.








