quarta-feira, 29 de abril de 2026

EXCLUSIVO: Amor pelos vinhos espanhóis e pelo Brasil deu origem à Importadora Rioja Luxury Wines

Foto: Divulgação

por José Falcón Lopes (colunavinhosbahia@gmail.com / Instagram @VinhosBahia)

Um espanhol e uma peruana apaixonam-se, casam-se, decidem viver no Brasil e vender vinhos importados e experiências de enoturismo na Espanha. Este poderia ser o roteiro de um filme de amor, mas é a história real do casal Victor Sáenz e Ysbel Díaz, proprietários da Importadora Rioja Luxury Wines, que tem sede na encantadora cidade de Bombinhas, em Santa Catarina, no Brasil.

Natural de Logroño, capital da comunidade autônoma de La Rioja, onde estão localizadas algumas das mais famosas bodegas da Espanha e alguns dos melhores vinhos do Velho Mundo, Victor Sáenz explica que “Rioja é uma região extraordinária, capaz de oferecer vinhos elegantes e complexos, mas também rótulos jovens, frutados e vibrantes”.

Criada em 2023, a Rioja Luxury Wines é, atualmente, importadora exclusiva de três bodegas-botiques riojanas no Brasil: Marqués de Arviza, Ruiz-Clavijo Family Estates, Bodegas y Viñedos Ilurce.

Neste bate-papo exclusivo com a Coluna VinhosBahia, Victor Sáenz conta que, em 2026, o portifólio da importadora irá duplicar de tamanho com a chegada de duas bodegas da Rioja Alavesa e uma bodega da Rioja Oriental. Confira todas essas novidades na entrevista a seguir. Boa leitura.

Coluna VinhosBahia: Victor, você pode contar um pouco da sua história em La Rioja e da sua paixão pelos vinhos da região?
Victor Sáenz: Tenho 44 anos; minha mãe é de Oyón e meu pai era de Viana. Após se casarem, eles se mudaram para Logroño. Sou o segundo de quatro irmãos, e tanto eu quanto minha irmã mais nova — que vive na Alemanha — trabalhamos com vinhos de Rioja.

O vinho sempre esteve presente na minha casa. Meu pai era apreciador de vinho e um grande amante do campo e da natureza. Nunca faltava a “bota” cheia de tinto nos almoços ou o porrón nas refeições de domingo. Meus primos têm vinhas em Navarrete (Rioja Alta), e muitos amigos do meu pai também são viticultores; por isso, durante as vendimias, sempre ajudávamos na colheita das uvas.

Ainda lembro de cortar os cachos de uva fresca pela manhã e sentir as uvas estourando na minha boca, liberando aquele mosto doce — eu terminava com a boca completamente roxa.

Tornei-me consumidor de vinho por volta dos 20 anos, quando comecei a ir de pintxos com os amigos pelas ruas Laurel e San Juan, ícones do centro histórico de Logroño. No início, eu preferia os vinhos de maceração carbônica — frutados, frescos — e os crianzas. Com o tempo, aprendi a apreciar reservas e grandes reservas, com mais corpo e estrutura, e entendi por que meu pai guardava garrafas por tantos anos.

Outra tradição familiar era visitar bodegas em Haro, na Rioja Alta, quando recebíamos algum amigo. As visitas ao Barrio de la Estación e aos calados antigos sempre me fascinavam.

Coluna VinhosBahia: Quando você decidiu viver no Brasil e por que escolheu Santa Catarina?
Victor Sáenz: Casei-me em 2017; Ysbel Díaz, minha esposa é peruana. Conhecíamos Bombinhas, em Santa Catarina, por meio de um amigo de Logroño, que possui uma pousada na região. Achamos que era um lugar ideal para viver com tranquilidade.

Coluna VinhosBahia: Você veio ao Brasil com a intenção de abrir seu próprio negócio de importação de vinhos da DOCa Rioja?
Victor Sáenz: Inicialmente, não tinha a intenção de trabalhar com vinhos. Tudo começou em 2023 com uma ligação telefônica. Meu irmão estava ajudando nosso amigo Julián a cuidar de suas vinhas e, conversando com ele, surgiu a pergunta: “Aí no Brasil não bebem vinho?”

Isso despertou minha curiosidade. Até então, eu raramente via um Rioja na seção de vinhos dos supermercados, e quando encontrava em lojas especializadas, eram sempre os mesmos rótulos.

Rioja é uma denominação extremamente diversa — diferentes solos, microclimas, variedades de uvas, terroirs e mais de 500 bodegas, com projetos novos e enólogos jovens muito interessantes. Há vinhedos antigos, baixas produções, vinhos expressivos. Aí surgiu a ideia de criar a Rioja Luxury Wines, com o objetivo de oferecer ao consumidor brasileiro vinhos únicos.

Coluna VinhosBahia: Quais bodegas fornecem atualmente vinhos para a Rioja Luxury Wines? Você possui exclusividade de importação?
Victor Sáenz:
Sim, temos exclusividade de importação com as bodegas que representamos. Atualmente trabalhamos com Marqués de Arviza, Ruiz-Clavijo Family Estates e Bodegas y Viñedos Ilurce.

Coluna VinhosBahia: Poderia destacar as principais características de cada bodega e a qual zona da DOCa Rioja pertencem?
Victor Sáenz:
A Marqués de Arviza é uma pequena bodega familiar em Fuenmayor, na Rioja Alta, com história marcante. Ela foi fundada em 1874, possui calados do século XVI e cinco gerações de viticultores. Produzem vinhos de perfil clássico, com madeira bem integrada, redondos, delicados e aveludados.

A Bodega Ruiz-Clavijo Family Estates também está localizada na Rioja Alta. É um projeto do jovem enólogo Mario Ruiz-Clavijo, também enólogo da Marqués de Arviza. Produzem vinhos de alta gama, autorais, de produção limitada, entre 2.000 e 5.000 garrafas.

As Bodegas Ilurce estão localizadas em Alfaro, na Rioja Oriental. É uma bodega de tradição familiar com cinco gerações de viticultores. Produz vinhos de forte identidade, refletindo o vinhedo: solos áridos, cepas antigas, sobretudo garnachas com mais de 60 anos. São vinhos intensos, redondos e de pequenas produções.

Em 2026 incorporaremos duas bodegas da Rioja Alavesa e uma da Rioja Oriental, com projetos singulares — incluindo vinhos de maceração carbônica elaborados em field blend (uvas tintas e brancas), agricultura orgânica, e um branco varietal de viura.

Coluna VinhosBahia: Se tivesse que escolher um vinho de cada produtor para beber todos os dias, qual seria?
Victor Sáenz:
Da Marqués de Arviza, beberia diariamente o Selección Especial 2018, um vinho de autor 100% tempranillo, fermentado em depósito de concreto e com 18 meses em carvalho francês. É um crianza de estilo clássico, aromático, com frutas negras e notas tostadas do carvalho.

Da Ruiz-Clavijo, escolheria o Capitán Fanegas Blanco Reserva 2011, um blend de viura, malvasía e garnacha blanca, de vinhas com mais de 60 anos. Fermentado 24 meses em concreto e com mais 24 meses em carvalho francês, sendo 12 sobre borras com batonnage semanal. Elegante, untuoso, com notas de flores brancas, mel e tostados. Possui 93 pontos Robert Parker e menos de 3.000 garrafas produzidas.

Da Bodegas Ilurce, o meu preferido é o Ángel desde 1965, um garnacha 100% de duas parcelas nas ladeiras do Monte Yerga, com vinhas de mais de 60 anos. Cor púrpura, camada média-alta, frutas vermelhas, balsâmicos e leves tostados de uma passagem de 6 meses por carvalho francês. Em boca é redondo, aveludado e extremamente convidativo.

Coluna VinhosBahia: Você está pensando em oferecer pacotes de enoturismo para clientes brasileiros visitarem La Rioja?
Victor Sáenz:
Sim, já estamos oferecendo pacotes enoturísticos que podem ser totalmente adaptados ao gostoñ do cliente.

Coluna VinhosBahia: Como seriam essas rotas?
Victor Sáenz:
As rotas abrangem as três sub-regiões da DOCa Rioja — Rioja Alta, Rioja Alavesa e Rioja Oriental — e incluem experiências enogastronômicas e culturais variadas tanto em grandes quanto em pequenas bodegas e também em produtores centenários.

Visitamos castelos atualmente utilizados como calados para envelhecimento de vinhos e fazemos passeios pelas míticas ruas Laurel e San Juan, em Logroño. As experiências são exclusivas de acordo com o perfil e as preferências de cada cliente.

Coluna VinhosBahia: Há alguma informação adicional sobre os vinhos da DOCa Rioja que considere importante compartilhar?
Victor Sáenz:
Rioja é uma região extraordinária, capaz de oferecer vinhos elegantes e complexos, mas também rótulos jovens, frutados e vibrantes. É uma região onde enólogos jovens respeitam profundamente o vinhedo e trabalham para que Rioja permaneça como referência mundial em qualidade.

Além disso, Rioja possui a classificação mais diversa da Espanha, permitindo compreender a fundo a origem e o estilo de cada vinho. Temos classificações por origem – vinhos de zona (Rioja Alta, Rioja Alavesa e Rioja Oriental); vinhos de Municipio (Pueblo); vinhos de vinhedos singulares (com regulamentação rigorosa e parcelas únicas).

E temos também classificações por envelhecimento: Genérico (vinho jovem, sem passagem por barrica), Crianza (12 a 14 meses em barricas de carvalho), Reserva, Gran Reserva e Vinhos de Pago (Vinhos de Autor).

Essa diversidade oferece ao consumidor uma visão completa da riqueza de terroirs e estilos presentes na DOCa.

Convido a todos a não hesitarem em provar os nossos vinhos — expressão autêntica da diversidade e da identidade da DOCa Rioja — e a perguntarem também sobre nossas viagens a Rioja. Será um prazer apresentar pessoalmente essa região fascinante.

10 de dezembro de 2025, 13:02

Compartilhe: