quinta-feira, 30 de abril de 2026

Funcionário é demitido após repassar dados de pacientes a golpista que se passou por médico em hospital de Santos

Foto: Reprodução

Da redação

O técnico de enfermagem e instrumentador cirúrgico Sidnei Alves Monteiro, de 47 anos, foi demitido do Hospital Beneficência Portuguesa, em Santos, no litoral de São Paulo, após repassar ramais telefônicos e informações de prontuários a um homem que se passou por médico da unidade. O caso veio à tona depois de uma tentativa de golpe contra a família de um paciente internado.

Em entrevista ao G1, Sidnei afirmou que o golpista entrou em contato por meio de um ramal interno do hospital e se apresentou com o nome verdadeiro de um médico do centro cirúrgico. Segundo ele, o interlocutor também tinha acesso aos nomes completos de pacientes que estavam internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O técnico relatou que não exercia funções administrativas, mas acabou fornecendo os dados solicitados por não encontrar uma secretária para auxiliar o suposto médico. O contato ocorreu por volta das 9h do dia 12. Ainda segundo Sidnei, o golpista pediu que ele utilizasse o próprio celular para fotografar capas de prontuários com os respectivos números, o que foi feito. Ele afirma ter enviado apenas as capas, sem telefones dos pacientes.

Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa informou que o funcionário foi desligado por descumprimento das normas internas, da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e das diretrizes de segurança da informação e do paciente. A instituição afirmou que Sidnei fotografou a tela de um computador com dados do paciente e utilizou seu celular pessoal para manter contato com o suposto médico, além de repassar informações de um paciente de setor diferente daquele em que atuava.

A tentativa de golpe foi frustrada após uma paciente desconfiar do contato e comunicar o hospital. Por volta das 16h do mesmo dia, Sidnei foi chamado pela gerência de enfermagem, após seu nome aparecer na imagem do prontuário enviada pelo golpista. Ele disse ter relatado os fatos à administração e afirmou ter sido surpreendido pela demissão por justa causa.

O hospital declarou que o ex-funcionário extrapolou suas atribuições, em prejuízo do paciente e em desacordo com normas éticas e técnicas, ressaltando que informações sobre pacientes só podem ser fornecidas mediante autorização formal e pelo médico responsável. A unidade informou ainda que adotou os procedimentos legais para apuração, garantindo ao funcionário o direito de prestar esclarecimentos.

Sidnei registrou boletim de ocorrência na Delegacia Eletrônica e afirmou que pretende ingressar com ação judicial contra o hospital. Ele declarou estar abalado com a demissão, destacou ser pessoa com deficiência, ter visão monocular e disse temer dificuldades para recolocação profissional.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o caso foi registrado como estelionato e encaminhado ao 2º Distrito Policial de Santos. A vítima foi orientada sobre a necessidade de representação criminal para o prosseguimento das investigações.

24 de dezembro de 2025, 10:30

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