domingo, 10 de maio de 2026

Caiado sinaliza saída do União Brasil e negocia filiação para lançar candidatura ao Planalto

Foto: Divulgação

Da Redação

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, comunicou a aliados nesta terça-feira (27) a decisão de deixar o União Brasil para viabilizar uma candidatura própria à Presidência da República. O movimento ocorre após resistência do Progressistas, legenda com a qual o União está federado, à sua pré-candidatura.

Caiado mantém conversas avançadas com o Solidariedade, presidido por Paulinho da Força, partido que formalizou federação com o PRD. Também houve diálogo com o Podemos, comandado por Renata Abreu, embora interlocutores indiquem que a negociação com o Solidariedade esteja mais madura.

“Ele disse que vai sair do União e pediu uma conversa para a próxima semana. Coloquei a sigla à disposição; nos interessa uma candidatura nacional”, afirmou um dirigente partidário à Folha. Em entrevista à rádio Novabrasil, Caiado declarou ter informado o presidente do União, Antônio Rueda, e o secretário-geral ACM Neto sobre a desfiliação, dizendo tratar-se de algo a resolver “nos próximos dias”.

Aliados relatam que o governador não pretende abrir mão da pré-candidatura e avalia seguir até o fim na disputa, como forma de encerrar a carreira política em um embate nacional. Originário do antigo DEM, que se fundiu ao PSL para formar o União em 2022, Caiado enfrentou dificuldades para consolidar seu nome após a federação com o PP, liderado por Ciro Nogueira.

Nos bastidores do centrão, parte do PP sustenta que a única candidatura de direita fora do bolsonarismo com viabilidade seria a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. No União, houve quem defendesse manter a pré-candidatura de Caiado mais como estratégia para evitar o apoio automático ao senador Flávio Bolsonaro do que por expectativa de vitória. Outra ala, porém, preferiu adiar decisões, liberando filiados para apoiar Luiz Inácio Lula da Silva ou Bolsonaro conforme a realidade local, postura que irritou o governador goiano.

A busca por uma nova sigla ganhou força diante da falta de garantias de que o nome de Caiado chegaria às urnas. A permanência no União era vista como ideal pela estrutura partidária já instalada, além do peso da federação União-PP no fundo eleitoral: cerca de 19,2% do FEFC, o equivalente a R$ 953,6 milhões, segundo estudo da Fundação 1º de Maio.

No campo das alternativas, o Solidariedade, federado ao PRD e já com aprovação do Tribunal Superior Eleitoral, reúne dez deputados e projeta cerca de R$ 159 milhões de fundo em 2026, com menos caciques regionais. O Podemos, por sua vez, tem 16 deputados e quatro senadores, estimando R$ 236,5 milhões, mas com maior dispersão interna de lideranças.

27 de janeiro de 2026, 15:21

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