Renegociação de dívidas rurais coloca Hugo Motta entre pressão do governo e do agronegócio
Da Redação
A aprovação, pelo Senado, do projeto que prevê a renegociação de dívidas de produtores rurais aumentou a pressão sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. De um lado, o governo federal tenta impedir o avanço da proposta, considerada pelo Ministério da Fazenda uma “bomba fiscal”, com impacto estimado em pelo menos R$ 170 bilhões. Do outro, representantes do agronegócio articulam uma mobilização para que o texto seja votado o mais rapidamente possível na Câmara. A informação é da CNN.
Os ruralistas argumentam que a aprovação da medida antes do anúncio do novo Plano Safra é fundamental para permitir que produtores endividados tenham acesso às linhas de crédito oferecidas pelo governo. O setor enfrenta dificuldades provocadas por eventos climáticos extremos e pelo aumento dos custos de produção, especialmente do diesel e dos fertilizantes, afetados pela instabilidade internacional e pelos conflitos no Oriente Médio.
A situação cria um desafio político para Hugo Motta, que conta tanto com o apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto da bancada ruralista. Nos bastidores, parlamentares avaliam que a aproximação recente entre Motta e o Palácio do Planalto também está relacionada ao projeto político de seu pai, Nabor Wanderley, que é apontado como possível candidato ao Senado pela Paraíba. Enquanto isso, a sinalização de que as votações na Câmara poderão ocorrer de forma remota nos próximos meses é vista pelo governo como um fator que pode dificultar a pressão dos ruralistas pela rápida votação da proposta.








