terça-feira, 16 de junho de 2026

AGU pede à Polícia Federal investigação sobre vídeos misóginos que incentivam violência contra mulheres

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Da redação

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal solicitando a abertura imediata de inquérito para investigar a disseminação de conteúdos misóginos nas redes sociais. A iniciativa foi conduzida pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia e formalizada simbolicamente no último domingo (8).

O pedido tem como alvo vídeos publicados na plataforma TikTok que mostram jovens simulando atos de violência contra manequins femininos, com chutes, socos e golpes com faca. As publicações eram acompanhadas de mensagens que incentivavam agressões físicas contra mulheres em caso de rejeição a investidas amorosas ou pedidos de casamento, com frases como “treinando caso ela diga não”. Os conteúdos mencionados já foram removidos da plataforma.

O procurador nacional da União de Defesa da Democracia, Raphael Ramos, apontou no documento a existência de ao menos quatro perfis responsáveis pela disseminação recorrente das imagens. Segundo ele, o material viola a dignidade das mulheres e compromete a efetividade das políticas públicas voltadas à proteção de gênero e à promoção da igualdade.

Na manifestação enviada à Polícia Federal, a AGU sustenta que, embora as agressões exibidas nos vídeos sejam simuladas, o conteúdo pode configurar apologia ao crime e incitação à violência contra mulheres. O documento alerta que a circulação desse tipo de discurso pode estimular delitos previstos no Código Penal Brasileiro, como lesão corporal, perseguição e violência psicológica.

A AGU também destacou a necessidade de aprimorar os mecanismos de moderação nas plataformas digitais. Segundo o procurador, mesmo após decisões recentes do Supremo Tribunal Federal sobre o Marco Civil da Internet, os instrumentos atuais de controle têm se mostrado insuficientes para conter a disseminação de discursos de ódio.

Para reforçar a gravidade do caso, o órgão citou dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, que aponta aumento de 34% nos casos de violência letal contra mulheres no último ano, com quase 7 mil vítimas entre ocorrências consumadas e tentadas.

10 de março de 2026, 10:30

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