Bilionário que assumirá chefia na Saúde defende uso da cloroquina no combate à Covid-19
Da Redação
O empresário Carlos Wizard, que já está de malas prontas para assumir um cargo no Ministério da Saúde, defende o uso de coquetel de medicamentos, incluindo a cloroquina, para pacientes como forma de prevenir o novo coronavírus, antes mesmo de a pessoa ter qualquer sintoma. Em entrevista ao Estadão, ele citou o exemplo da cidade de Porto Feliz, no interior de São Paulo, que passou a distribuir um “kit Covid-19” à população.
“Precisa ter mais evidência do que uma cidade com 75 mil habitantes, com mais de 500 infectados e sem nenhum óbito?”, disse ele. Boletim epidemiológico mais recente do governo de São Paulo, no entanto, mostra que há 45 casos confirmados e 3 óbitos no município. O discurso do empresário está alinhado ao que prega o presidente Jair Bolsonaro, que também defende o uso amplo do medicamento.
A posição de Wizard de uso “preventivo” da cloroquina contraria os próprios técnicos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), que ele vai comandar. Diariamente, a equipe da pasta produz análises sobre pesquisas de tratamentos contra a pandemia, que até hoje não comprovaram a eficácia da droga no combate ao coronavírus. O futuro secretário do Ministério da Saúde contraria também manifestações da comunidade médica, como a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), que rejeitam o uso do medicamento para conter a pandemia.
Questionado sua a visão que tem do uso da cloroquina como tratamento da Covid-19, ele afirmou: “Qual nossa orientação, em nota técnica distribuída a secretários de Estados e municípios? Baseado em estudos feitos no Brasil, como internacionalmente, em centenas de países, que comprovadamente indicaram que a cloroquina e a hidroxicloroquina preserva a vida, na “fase 1″ da Covid-19, logo que paciente demonstra primeiros sinais. Os resultados são muito satisfatórios. No ministério antigo, no tempo do Mandetta, diziam: se você está com febre leve, fica em casa. E as pessoas ficavam. Essa conduta trouxe milhares de pessoas a óbito. Elas ficavam em casa, não recebiam tratamento. A doença evolui. Milhares foram a óbito. Com essa nova orientação técnica estamos conseguindo salvar vidas”.
“Pretende ampliar a orientação do ministério sobre cloroquina ao uso preventivo (profilático)?”, perguntou o jornalista do Estadão. “Vamos combinar. Você não vai colocar cloroquina, chame de coquetel, conjunto, grupo de vários fármacos que preconizamos. A resposta é sim. Se um pai de família é diagnosticado, quando volta para casa também recomendamos tratamento profilático para esposa, sogra, filhos, quem estiver no núcleo familiar. Profilaticamente falando, já recomendamos sob orientação médica. Precisa ter mais evidência do que uma cidade com 75 mil habitantes, com mais de 500 infectados, sem nenhum óbito (Wizard refere-se a Porto Feliz, no interior de São Paulo)? Meu amigo. Distribua essa notícia para todo prefeito, governador. Se quisesse blindar toda cidade do Brasil, blindaria”, respondeu.








