Câmara deve votar projeto sobre terras raras em meio à disputa global por minerais estratégicos
Da Redação
A Câmara dos Deputados deve votar nesta terça-feira (5) um projeto considerado estratégico para a exploração de terras raras no Brasil, minerais essenciais para a indústria de alta tecnologia. A análise ocorre às vésperas de uma reunião internacional entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um contexto de crescente disputa global por esses recursos.
O projeto cria a Política Nacional para a Exploração de Minerais Críticos e Estratégicos, incluindo terras raras, lítio e níquel, utilizados na produção de celulares, carros elétricos e equipamentos de energia renovável. O texto prevê incentivos ao setor, como a criação de um fundo garantidor de até R$ 5 bilhões, sendo R$ 2 bilhões em recursos públicos, além de exigir investimentos em tecnologia de processamento no país.
O debate ocorre em meio ao reconhecimento do potencial brasileiro no setor. O país é apontado como detentor de algumas das maiores reservas mundiais desses minerais, com destaque para áreas na Bahia, Minas Gerais e Goiás, embora a exploração ainda seja limitada — atualmente, há apenas uma mina em operação.
Na Bahia, o tema tem raízes históricas. O distrito de Cumuruxatiba, no extremo sul do estado, foi um dos primeiros pontos de exploração de areias monazíticas no Brasil, ainda no século passado. A região concentra minerais como cério, lantânio e neodímio, fundamentais para tecnologias modernas. Registros históricos indicam que a atividade na área remonta ao fim do século XIX, com iniciativas pioneiras que abriram caminho para o desenvolvimento do setor.
Especialistas avaliam que o Brasil pode assumir papel estratégico na cadeia global de minerais críticos, mas destacam a necessidade de equilibrar expansão econômica com sustentabilidade ambiental e desenvolvimento tecnológico interno.
Se aprovado na Câmara, o projeto seguirá para análise do Senado.








