quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Com aumento da vacinação, agronegócio deve crescer ainda mais em 2021 na Bahia

Foto: Divulgação

Tamy Becker

Com a retomada dos setores econômicos no país e a redução dos casos de Covid-19, a agricultura familiar e o agronegócio devem crescer ainda mais na Bahia. Mesmo durante a pandemia, o setor não parou de crescer, já que o estado apostou na adoção de tecnologias digitais, capacitação e comunicação para facilitar a aproximação de pessoas e a chegada dos produtos até a mesa dos consumidores.

As ações do governo da Bahia para amenizar os impactos no agronegócio também foram fundamentais. João Carlos Oliveira, titular da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), contou que o setor teve diversos avanços durante a pandemia.

Agronegócio tem previsão de continuar batendo recordes em 2021 (Foto: Divulgação)

“O aumento da produção de grãos, com destaque para a cultura da soja e o do milho no oeste, é um exemplo disso, além da região nordeste, com milho de segunda safra. Na pecuária, destacamos a capinocultura e ovinocultura, com os maiores rebanhos do país. Outra cultura que merece destaque é o algodão, sendo a Bahia o segundo maior produtor nacional”, afirmou o secretário.

Júlio Cézar Busato, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), lembrou que, apesar do cenário adverso, a cotonicultura brasileira registrou recordes históricos de produção e exportação em 2020. “E nossas metas, que já eram ambiciosas, ficaram ainda maiores. Queremos, até 2030, ser o maior exportador mundial de algodão e, para isso, precisamos colher mais, incrementar a nossa já altíssima produtividade e evidenciar os grandes diferenciais do nosso produto”, frisou.

“Com esse objetivo, definimos cinco frentes prioritárias de trabalho para o biênio 2021/2022: qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade, promoção e relações institucionais. Nossa proposta é ainda mais união, associativismo e engajamento, por meio das associações locais, sob a coordenação da Abrapa. Queremos produzir mais, e ser os maiores e os melhores do mercado de pluma. Isso é bom para a cotonicultura e também para o Brasil”, acrescentou.

Produção de alimentos

O agronegócio baiano garantiu a produção de alimentos em 2020 e tem previsões de continuar batendo recordes agora em 2021. A demanda internacional não parou de crescer no primeiro semestre, e a Bahia apresentou uma alta de 36,98% nas exportações, quando se compara ao mesmo período de 2020. Produtos como soja, açúcar, café, algodão e carnes (bovina, suína e de frango) cultivaram viés de alta.

Desde o início da pandemia, a Seagri têm avaliado os impactos nas cadeias produtivas da agropecuária baiana e analisado os problemas enfrentados em todos os setores, desde a produção até a comercialização, para apoiar de forma mais eficiente os produtores rurais do estado.

Entre as ações realizadas pela Seagri, foi criado um canal telefônico “Fala Produtor” para auxiliar e tirar dúvidas do setor; auxílio na criação de uma cartilha de orientação aos feirantes e produtores por conta da pandemia; atuação junto com as prefeituras para viabilizar a entrada de caminhões e garantir o abastecimento nos municípios; e solicitação aos bancos para prorrogação dos débitos e abertura de novas linhas de crédito para o campo.

Foi criado também um comitê com a participação da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Ministério da Agricultura e Federação Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) para ouvir demandas e ajustar ações de enfrentamento, unido às forças do agronegócio baiano.

Além disso, foi solicitado junto à União dos Municípios da Bahia (UPB) a adoção de medidas que garantissem o transporte dos trabalhadores rurais para os locais de trabalho e a anistia do recolhimento do tributo do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).

Estimativa positiva

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia deve bater novo recorde de safra de grãos este ano, com um aumento de 4,1% de cereais, oleaginosas e leguminosas, em comparação com 2020. No ano passado, o estado atingiu a maior safra registrada de toda a série histórica, que foi de 10 milhões de toneladas.

O destaque é para a produção de soja, que deve ter aumento de 12,6%. Na safra de milho, o crescimento deve ser de 5,5 %, além da previsão otimista também para a cana-de-açúcar, com aumento previsto de 5,8 %, e da castanha de caju, com incremento calculado em 34,6%. A banana e a batata também devem ter alta.

O agro impacta diretamente na economia estadual, sendo responsável por aproximadamente um quarto do PIB estadual, 32% dos empregos e quase metade das exportações baianas. Esses números demonstram a forte expansão da produção no estado, a qual se traduziu em elevada disponibilidade de alimentos, fibras e energia, garantindo o abastecimento interno e ainda um crescente volume de exportação.

30 de julho de 2021, 16:28

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