Como votaram os senadores da Bahia no PL da Dosimetria aprovado no Senado
Da Redação
Os três senadores da Bahia adotaram posições distintas na votação do chamado PL da Dosimetria, projeto que altera critérios para definição de penas e que pode beneficiar condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro. A proposta foi aprovada pelo plenário do Senado nesta quarta-feira (17), por 48 votos a favor e 25 contra, e segue agora para sanção do presidente Lula (PT), que já anunciou que pretende vetar o texto integralmente.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), votou contra o projeto. O mesmo posicionamento foi adotado pelo senador Otto Alencar (PSD), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). De olho na reeleição em 2026, ainda sem saber exatamente de que lado do “muro” ideológico estará, o senador Angelo Coronel (PSD) optou pela abstenção, não registrando voto nem a favor nem contra a matéria.
Apesar do voto contrário de Wagner e Otto, os dois parlamentares tiveram papel decisivo para viabilizar a tramitação do projeto no Senado, o que gerou forte desgaste interno na base governista. Nos bastidores, Wagner articulou um acordo de procedimento com o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), para que o texto fosse levado à votação ainda neste ano, sem obstrução por parte do governo.
Otto Alencar, por sua vez, mesmo sendo crítico histórico do projeto, não permitiu o adiamento da votação na CCJ, limitando o prazo para pedido de vistas e viabilizando que o parecer fosse apreciado rapidamente. O pessedista foi convencido a mudar de estratégia por Wagner. Inicialmente, havia um movimento de senadores governistas para tentar empurrar a análise do projeto para 2026, estratégia que acabou frustrada.
O acordo costurado por Wagner previa que tanto governo quanto oposição poderiam discursar contra o mérito das propostas em pauta, mas sem criar obstáculos regimentais à votação. Em contrapartida, a oposição também não obstruiu a tramitação de um projeto de interesse do Executivo que trata do aumento da tributação e foi aprovado na Câmara dos Deputados.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), um dos mais críticos ao acordo feito por Wagner, acusou o governo, em discurso na tribuna do Senado, de dar um presente de Natal aos golpistas. Renan também relatou que Otto havia concordado inicialmente em adiar a votação por cinco dias.
“Eu estou aqui há muitos anos. Eu cheguei em 1982 no Congresso como deputado federal; depois me reelegi Constituinte, e estou exercendo meu quarto mandato nesta Casa, mas eu nunca vi, com uma questão transcendental como esta, alguém, em nome do governo, fazer um acordo e dar peru de Natal aos golpistas”, disse Renan.
A articulação provocou mal-estar no Palácio do Planalto e no próprio PT. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reclamou publicamente do acordo, afirmando que foi surpreendida, já que o presidente Lula havia comunicado previamente que vetaria o projeto. Wagner, por sua vez, admitiu o acerto de procedimento e assumiu a responsabilidade política pela decisão.








