Demétrio Magnoli critica ataques a Malu Gaspar no caso envolvendo Alexandre de Moraes e o Banco Master
Da redação
Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, o sociólogo Demétrio Magnoli analisou a repercussão das reportagens da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o Banco Master, destacando a importância do sigilo da fonte e do interesse público na prática do jornalismo profissional.
Para Magnoli, as reportagens revelaram dois fatos centrais: o conteúdo do contrato firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Banco Master, além de registros de contatos telefônicos entre Alexandre de Moraes e o Banco Central relacionados à crise da instituição financeira. Para o articulista, trata-se de apuração jornalística legítima, que acabou sendo alvo de ataques políticos.
No texto, ele afirma que a reação contrária às reportagens buscou desqualificar o trabalho jornalístico ao exigir a revelação das fontes, o que, segundo ele, contraria princípios básicos das democracias. O autor lembra que o sigilo da fonte é protegido por lei e constitui condição essencial para que informações de interesse público venham à tona, sobretudo quando envolvem autoridades ou pessoas em posições de poder.
O articulista ressalta que o jornalismo não tem a função de “produzir provas”, conceito próprio do sistema judicial, mas de divulgar informações relevantes para a sociedade. Cabe, segundo ele, aos críticos demonstrar eventual falsidade das informações publicadas — o que, no caso, não teria ocorrido.
Magnoli também argumenta que as motivações das fontes podem ser diversas, mas que isso não invalida a informação, desde que ela seja verdadeira e de interesse público. Para ele, essas são as duas perguntas centrais que orientam a decisão de publicar uma reportagem.
No artigo, o jornalista diferencia o jornalismo profissional do ativismo político, afirmando que o primeiro se orienta pelo interesse público, enquanto o segundo seleciona informações com base em conveniências ideológicas. Ao final, Magnoli sustenta que ataques à imprensa, vindos de diferentes espectros políticos, têm como objetivo comum desacreditar o jornalismo para proteger lideranças e instituições de escrutínio público.








