Deputados baianos ouvem queixas de Lula por queda de benefícios fiscais a BYD na reforma tributária
Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou insatisfação com os líderes partidários na Câmara Federal com a retirada do texto da reforma tributária do dispositivo que prorrogava benefícios fiscais até 2023 para a instalação da BYD em Camaçari. O chefe do Palácio do Planalto teve uma reunião com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), e parlamentares que comandam as bancadas, na noite desta sexta-feira (07), no Palácio da Alvorada.
Apesar do clima de descontração, com direito a uísque e cerveja para os convidados, Lula cobrou o deputado e se queixou do líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu (PR), que não participou da votação. Entre os baianos presentes, além do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), estavam os líderes do União Brasil, Elmar Nascimento, do PSD, Antonio Brito, e do PSDB, Adolfo Viana.
Os partidos dos três líderes baianos votaram em peso a favor da reforma tributária, mas a disposição nem de longe foi a mesma em relação ao dispositivo inserido na reforma que prorrogava os incentivos fiscais, quando falou mais alto os interesses de cada Estado. Para ser mantido diante do destaque apresentado pelo PL pedindo a retirada do artigo eram necessários 308 votos, mas foram obtidos 307, um a menos do que o necessário.
Como mostrou o Toda Bahia, o deputado Otto Filho, liderado por Antonio Brito, votou pela retirada da prorrogação dos benefícios, o que pode atrapalhar a instalação da BYD em Camaçari. Já o deputado baiano Arthur Maia (União) não votou, mesmo com a articulação de Elmar Nascimento que garantiu 42 votos do partido liderado por ele a favor dos incentivos.
Zeca Dirceu é deputado pelo Paraná e a decisão da Câmara beneficia seu estado, uma vez que, sem os incentivos, a tendência é que haja uma descentralização das indústrias automobilísticas no país. O fim da isenção era uma bandeira do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD-PR).
Lula afirmou aos parlamentares que as montadoras são importantes para o crescimento econômico e citou que, em outros países, essas empresas recebem tratamento diferenciado. A iniciativa também atenderia à Stellantis, que tem uma fábrica da Jeep em Goiana (Pernambuco).
Na reunião com Arthur Lira e os líderes, Lula também agradeceu aos parlamentares pelo esforço na aprovação das matérias nesta semana na Câmara e demonstrou otimismo com o cenário econômico do país. Ele indicou ainda aos presentes que deverá lançar durante o recesso parlamentar o chamado Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Segundo relatos, o clima foi amistoso e descontraído. O petista disse que pretende realizar novos encontros como o desta sexta e ressaltou a importância da manutenção do diálogo entre o Executivo e o Legislativo. Após o encontro, ele publicou uma foto com todos os presentes nas redes sociais.
Deputados presentes garantiram que não foram tratadas mudanças no ministério do petista. A presença de parlamentares do PP e do Republicanos, entretanto, foi avaliada positivamente pelo Palácio do Planalto. Nos bastidores, é dado como certo que irão ocorrer outras trocas na Esplanada dos Ministérios, além da substituição de Daniela Carneiro (União-RJ) por Celso Sabino (União-PA) no Ministério do Turismo, o que representa também uma vitória de Elmar Nascimento na disputa interna com o presidente do partido, Luciano Bivar (União-PE).
Nos últimos dias, o Planalto sinalizou positivamente a líderes partidários para a possibilidade de trocas na Esplanada para atrair PP e Republicanos. O nome do deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) é cotado para chefiar o Ministério dos Esportes, enquanto o de André Fufuca (PP-MA), líder da sigla na Câmara, é lembrado para o Ministério do Desenvolvimento Social.
Além disso, pessoas próximas às negociações afirmam que o petista também poderá oferecer o comando da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) para um nome que seja consenso entre PP, Republicanos e União Brasil. Também é tratado nos bastidores a possibilidade de troca na presidência da Caixa Econômica Federal. Para o posto é lembrado o nome de Gilberto Occhi, que já chefiou a instituição.








