segunda-feira, 11 de maio de 2026

Desgastes com Rui Costa e isolamento político levaram à saída de Lewandowski do Ministério da Justiça

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Da redação

A saída de Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi motivada por um conjunto de desgastes internos no governo federal, especialmente com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com a Secretaria de Comunicação Social (Secom). As informações foram publicadas pelo jornal O Globo e apontam ainda que o ex-ministro enfrentava o que classificava como “fogo amigo” dentro da Esplanada dos Ministérios.

Lewandowski deixou o cargo em meio à frustração com a falta de avanços de sua principal bandeira à frente da pasta: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A indefinição sobre o novo titular do ministério pode, inclusive, retardar a tramitação da proposta no Congresso Nacional.

Segundo a publicação, o ex-ministro passou a se sentir contrariado com movimentos internos do governo, sobretudo durante discussões sobre a criação de uma secretaria extraordinária de segurança pública vinculada à Casa Civil, que concentraria ações do Executivo na área. Embora a ideia não tenha sido aprovada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lewandowski interpretou a proposta como uma tentativa de esvaziar o Ministério da Justiça.

Em novembro, durante uma reunião considerada tensa, Lewandowski chegou a confrontar Rui Costa, questionando se ele teria interesse em assumir a área da segurança pública. “Se quiser a segurança pública, pode ficar para você”, teria dito o então ministro, segundo relatos de bastidores.

Interlocutores afirmam que Lewandowski se queixava de não se sentir “bem tratado” dentro do governo e de estar isolado nas articulações políticas no Congresso, o que teria pesado na decisão de deixar o cargo.

Após sua saída, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), o ministro Rui Costa e o titular da Secom, Sidônio Palmeira, passaram a defender uma indicação conjunta para o comando da pasta. O nome mais citado é o de Wellington Cesar Lima e Silva, atual advogado-geral da Petrobras.

Jaques Wagner é um dos principais apoiadores de Wellington Cesar. Quando governou a Bahia, foi ele quem indicou o jurista para o comando do Ministério Público estadual. Rui Costa e Sidônio Palmeira, segundo a reportagem, atuam de forma mais discreta nos bastidores para viabilizar o nome do chefe do jurídico da Petrobras para o Ministério da Justiça.

12 de janeiro de 2026, 10:00

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