Em demonstração de força, Josué Gomes leva Alckmin e Temer à Fiesp
Da Redação
Na feroz disputa em que enfrenta para continuar como presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva acuou os adversários ao trazer como reforço o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) no mesmo dia da assembleia em que sua briga com a oposição será discutida. De quebra, Gomes trouxe ainda o ex-presidente Michel Temer (MDB) à Fiesp.
Alckmin, que é também o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), veio à entidade para um almoço com presidentes de sindicatos patronais da Fiesp, ato que foi lido como demonstração de força de Gomes.
Há quase dois meses, o presidente da maior entidade empresarial do país enfrenta acirrada oposição de um grupo de dirigentes fomentada pelo seu antecessor no cargo e até então padrinho, o bolsonarista Paulo Skaf.
Aproveitando-se da histórica máxima de que empresários brasileiros não costumam comprar briga com o governo federal por receio de prejudicarem os negócios, Josué anunciou ainda a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) na próxima reunião da diretoria da Fiesp, no dia 30 de junho, e do ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), para o seguinte encontro da cúpula da entidade, em 6 de fevereiro.
A simples presença de Alckmin foi vista como exitosa em constranger os oposicionistas a Josué. O presidente Lula, que chegou a convidar Gomes a ser ministro da pasta agora ocupada por Alckmin, já chamou a disputa de “tentativa de golpe”. Apesar de dizer que o tema é “assunto interno” da Fiesp, Alckmin deu o tom de seu apoio:
— Quero registrar o meu enorme apreço pelo presidente Josué. Um grande industrial brasileiro, uma grande liderança. Espero que logo se revolva (a briga na Fiesp) porque é importante (a indústria) estar unida. Vamos fortalecer muito esse laço com a Fiesp para poder caminharmos na recuperação da indústria — afirmou o ministro ao ser questionado sobre o imbróglio.
A oposição a Gomes reclama do estilo fechado de sua gestão na entidade, que incomoda especialmente os sindicatos patronais que representam setores com menor peso econômico. Com o apoio de Skaf nos bastidores, o movimento conseguiu angariar apoio suficiente nos últimos dois meses para forçar Gomes a convocar uma assembleia para 16 de janeiro na qual se discutirá sua eventual destituição.
Enquanto os oposicionistas ganhavam terreno, Josué se aferrava a seu estilo calado e a seu apoio junto aos sindicatos de setores mais expressivos economicamente. Parecia que o presidente da Fiesp estava acuado. Nesta segunda, porém, ele mostrou que o jogo tende a virar ou, pelo menos, o custo de sua derrubada tem aumentado.








