Enquanto Lula visitava a Bahia, Coronel participava de evento com bolsonaristas e homenagem ao Cazaquistão
Da Redação
Uma das ausências mais comentadas durante os dois dias de visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Salvador, na quarta (25) e na quinta (26), foi a do senador Ângelo Coronel (PSD). Embora se coloque como aliado do petista, Coronel optou por participar, na quarta, em Brasília, de um evento com o principal adversário de Lula, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a nata bolsonarista do Congresso Nacional. Na quinta, o motivo da ausência foi uma homenagem, também no Distrito Federal, ao Cazaquistão, país da Ásia Central famoso pelo personagem Borat nos cinemas e pela falta de apego à democracia.
O primeiro compromisso de Lula em Salvador, na quarta, foi uma visita ao vice-governador João Leão (PP). Depois, o ex-presidente seguiu para um evento organizado pelo PT com movimentos sociais, no auditório da Assembleia Legislativa, no CAB. Os senadores Jaques Wagner (PT) e Otto Alencar (PSD), além do governador Rui Costa (PT), estiveram presentes, entre outros políticos da base aliada ao petismo na Bahia.
Enquanto isso, Coronel recebia a Medalha do Pacificador, uma honraria concedida pelo Exército a políticos e autoridades civis, militares e do Judiciário no Dia do Soldado. Sem discursar, Bolsonaro participou do evento, realizado no Quartel General do Exército, em Brasília.
Só foram escolhidos para a homenagem parlamentares que fazem parte da base de sustentação ao Planalto ou que se dizem independentes e costumam votar a favor de medidas do governo no Congresso. Não havia, por exemplo, ninguém do PT, PSB ou PCdoB. O único parlamentar filiado a uma sigla oposicionista agraciado com a honraria militar foi o Subtenente Gonzaga (MG), que, embora do PDT, vota com Bolsonaro.
Ao lado de Coronel estavam parlamentares oriundos das forças de segurança, armamentistas e que integram a tropa de choque bolsonarista de partidos como o PSL, o PP, o Republicanos, o Podemos, o PSDB e o DEM, além de aliados do PSD. São políticos que, a exemplo do senador baiano, foram ou são contemplados com a generosidade do Planalto quando o assunto são emendas parlamentares destinadas às bases eleitorais.
Receberam a medalha, no total, 38 parlamentares, a exemplo do fiel escudeiro do presidente Hélio Negão (PSL-RJ), a autora da proposta do voto impresso Bia Kicis (PSL-DF) e o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP), responsável pela indicação do deputado federal licenciado João Roma para o Ministério da Cidadania.
Evento em embaixada
Na quinta (26), no segundo dia da visita, Lula deu entrevistas à imprensa, visitou a policlínica da Narandiba, com direito a sessão de fotos com políticos aliados, se encontrou com representantes do movimento negro e teve uma reunião fechada com representantes de todos os partidos da base aliada de Rui Costa. Neste evento, realizado no Hotel da Bahia, também estavam presentes Leão, Wagner e Otto, além do governador. Para surpresa de boa parte dos presentes, nada de Coronel.
Neste dia, o senador baiano participou, em Brasília, ao lado da esposa, Eleusa Coronel, da celebração dos 30 anos de independência do Cazaquistão, país que possui uma baixa relação comercial com o Brasil na balança do comércio exterior.
A ausência de Coronel durante a visita de Lula fez crescer, nos bastidores, especulações de que o senador baiano estaria insatisfeito com o governo Rui Costa. O parlamentar tem defendido publicamente que os partidos aliados tenham direito a ocupar a “cabeça de chapa” nas eleições de 2022 dentro do grupo que dá sustentação ao governo da Bahia.








