sábado, 9 de maio de 2026

Falência de banco americano já afeta instituições do Reino Unido, Canadá e Índia

Foto: Reprodução

Da Redação

Os efeitos do colapso do Silicon Valley Bank (SVB), instituição financeira que oferece crédito a gigantes do Vale do Silício, começam a chegar a unidades da empresa no Reino Unido e no Canadá. O movimento ocorre menos de 24 horas depois do anúncio de que reguladores do estado da Califórnia assumiram o controle do SVB.

No Reino Unido, deve ser declarado que a unidade não vai conseguir honrar com os compromissos com os credores, além de já ter interrompido negociações e o recebimento de novos clientes. O mesmo temor chegou no Canadá, em que os empréstimos oferecidos pelo SVB dobraram no último ano.

Diante desse cenário, líderes de cerca de 180 empresas de tecnologia enviaram uma carta ao chanceler britânico Jeremy Hunt para que alguma ação seja tomada. Na carta, eles alertam que a crise vai começar na próxima segunda-feira, então “pedimos que você evite isso agora”. Entre as empresas listadas, estão Apian, de softwares de segurança, Pickit, de logística de e-commerce, e Pivotal Earth, que une tecnologia e natureza.

“A perda dos depósitos tem o potencial de paralisar o setor e fazer o ecossistema regredir em 20 anos. Muitos negócios vão passar por uma dissolução involuntária da noite para o dia”, afirmaram na carta, a que a Bloomberg teve acesso.

Fundadores de start-ups, que representam o maior volume de credores, entraram em estágio de alerta porque temem não conseguir acesso a crédito e realizar o pagamento de funcionários.

Os temores também chegaram ao mercado indiano. Mais de 60 start-ups com sede no país têm mais de US$ 250 mil em contas no SVB e outras quase duas dúzias têm mais de US$ 1 milhão vinculado à instituição financeira, de acordo com pesquisa interna a que o TechCrunch teve acesso.

Segundo o site, dezenas de empresas apoiadas por gigantes locais, como YC, Accel, Sequoia India, Lightspeed, SoftBank e Bessemer Venture Partners apostaram no Silicon Valley Bank como, por vezes, o único parceiro bancário. Por isso, muitas não conseguiram sacar os investimentos a tempo, fontes ligadas ao assunto contaram ao TechCrunch.

Reação no Reino Unido – Nesta manhã, Hunt conversou sobre os temores como o dirigente do Bank of England. O secretário econômico do Tesouro britânico deve realizar uma mesa de negociação com as empresas afetadas no final deste sábado.

O Tesouro britânico começou a sondar start-ups sobre a quantia que têm depositada no SVB, o consumo aproximado de caixa e o acesso às facilidades bancárias na instituição financeira, segundo pessoas que acompanham o assunto.

O pânico também começou a se instalar entre outras start-ups britâncias credoras do SVB. A Coadec, do setor de tecnologia, afirmou em uma rede social que é nítido que o colapso do banco “pode ser impacto significativo no ecossistema de start-ups de tecnologia do Reino Unido”.

No Canadá, a unidade do SVB Financial Group registrou o equivalente a US$ 314 milhões em empréstimos garantidos em 2022, o dobro dos US$ 152,9 milhões registrado no ano anterior. Entre seus clientes, está a Shopify, que oferece software para e-commerces, e a farmacêutica HLS Therapeutics.

Neste sábado, a advertising-tech AcuityAds revelou ter US% 55 milhões em depósitos no SVB, que representa cerca de 90% de todo o capital da empresa. A strat-up parou de negociar suas ações na sexta, depois de uma queda de 14%.

Emprego por 45 dias – Diante da crise enfrentada pelo SVB, a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) contratou funcionários da instituição financeira enquanto recebe do SVB.

O corpo de funcionários foi contratado nesta sexta-feira para atuar por 45 dias na entidade recém-formada, segundo cópia de mensagem obtida pela Bloomberg. Depois do prazo, no entanto, todos serão demitidos.

A instituição financeira e suas subsidiárias tinham mais de 8,5 mil funcionários em todo o mundo no final do ano passado, segundo relatório anual.

Segundo o FDIC, o escritório principal do banco em Santa Clara, na Califórnia, e todas as suas filiais serão reabertas na segunda-feira.

Efeito cascata – Os reflexos imediatos nas unidades do Reino Unido e do Canadá sinalizam que o efeito cascata do SVB está apenas começando. A instituição financeira também tem operações em China, Dinamarca, Alemanha, Índia, Israel e Suécia.

Fundados vêm alertando que a falência do banco poderia destruir start-ups pelo mundo, mesmo sem intervenção de governos para conter a crise. Na China, a joint venture do SVB, o SPD Sillicon Valley Bank Co., começou a tentar acalmar clientes da noite para o dia, reforçando que suas atividades vêm sendo independentes e estáveis.

11 de março de 2023, 22:20

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