Itamaraty tenta reverter veto da União Europeia à carne brasileira antes de entrada em vigor
Da Redação
O Ministério das Relações Exteriores intensificou as negociações com a União Europeia para tentar reverter a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco. A decisão europeia foi oficializada na sexta-feira (5) e tem como fundamento preocupações relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.
Segundo interlocutores do Palácio do Itamaraty, o ministro Mauro Vieira já havia discutido o tema com o comissário de Comércio da União Europeia antes da formalização da medida.
Na lista divulgada em 2024, o Brasil estava autorizado a exportar carne bovina, carne de frango, carne equina, além de produtos como peixe, mel e tripas. Com a nova decisão, o país foi retirado da relação de fornecedores autorizados para todos esses itens.
Governo busca solução antes de setembro
A medida ainda não entrou em vigor e deverá passar a valer em setembro. Até lá, o governo brasileiro trabalha para tentar reverter total ou parcialmente a decisão.
Paralelamente às negociações diplomáticas, o Ministério da Agricultura e Pecuária e representantes do setor produtivo buscam atender às exigências técnicas apresentadas pelos europeus.
Entre as demandas da União Europeia está a realização de visitas presenciais de inspeção às propriedades e estabelecimentos produtores brasileiros para verificar os controles sanitários adotados pelo país.
Setor pesqueiro manifesta confiança
Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados afirmou confiar no sistema nacional de fiscalização sanitária e nas medidas adotadas pelo governo brasileiro.
A entidade destacou que continua colaborando com as autoridades para fortalecer os mecanismos de controle e garantir a qualidade dos produtos exportados.
Os antimicrobianos citados pela União Europeia são substâncias utilizadas para prevenir e tratar infecções em animais. Em alguns casos, esses medicamentos também podem ser empregados para estimular o crescimento dos rebanhos, prática que vem sendo alvo de restrições em diversos mercados internacionais.
A expectativa do governo brasileiro é apresentar garantias técnicas adicionais nos próximos meses para evitar impactos mais amplos sobre as exportações agropecuárias destinadas ao mercado europeu.








