Prefeitura e Petrobras lançam programa para transformar óleo usado em biodiesel com geração de renda para cooperativas
Da Redação
A Prefeitura de Salvador e a Petrobras Biocombustível (PBIO) lançaram nesta segunda-feira (8), no Doca 1, no Comércio, o programa de Óleos e Gorduras Residuais (OGR), voltado à ampliação da coleta e do reaproveitamento de óleo de fritura para a produção de biodiesel. A ação busca reduzir o descarte irregular do material, além de fortalecer cooperativas de reciclagem e ampliar a geração de renda no município.
Durante o evento, o prefeito Bruno Reis assinou o decreto que institui o programa e que abre o edital para credenciamento de cooperativas que atuarão na coleta do resíduo. A iniciativa também prevê a inclusão das baianas de acarajé e de estabelecimentos comerciais, como restaurantes, bares e shoppings, na cadeia de coleta do óleo residual. O material recolhido será destinado à unidade da Petrobras Biocombustível em Candeias, onde servirá de matéria-prima para a produção de biodiesel.
“Estamos falando de uma ação que reúne economia circular, logística reversa e proteção ao meio ambiente. As baianas de acarajé, que representam um patrimônio cultural da nossa cidade e da Bahia, passam a ter uma fonte adicional de renda, assim como as cooperativas de catadores, que terão nova geração de receita. É um ecossistema em que todos ganham”, destacou o prefeito.
O gestor municipal ressaltou ainda que o reaproveitamento do óleo contribui diretamente para a redução dos impactos ambientais e para o enfrentamento das mudanças climáticas. “Portanto, esse programa é mais uma iniciativa que reafirma o compromisso de Salvador com a sustentabilidade, ao mesmo tempo em que fortalece o trabalho de homens e mulheres que vivem da reciclagem e ajudam a construir uma cidade mais resiliente”, acrescentou.
Funcionamento
As cooperativas cadastradas serão responsáveis por comprar o óleo usado das baianas de acarajé pelo valor de R$ 3 por cada quilo coletado – volume similar a um litro. No caso de restaurantes e demais estabelecimentos comerciais, o pagamento será de R$ 2 por quilo. Atualmente, há um projeto-piloto em funcionamento nos mesmos moldes, atendendo cerca de 100 baianas de acarajé na cidade.
O óleo coletado pelas cooperativas será posteriormente comercializado com a Petrobras Biocombustível. O valor pago pela empresa varia conforme o mercado, mas atualmente gira em torno de R$ 7 por quilo do produto.
O titular da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), Ivan Euler, lembrou que a escolha da data para o lançamento do programa OGR coincide com o Dia Mundial dos Oceanos, celebrado nesta segunda (8).
“Tem tudo a ver com a data de hoje. Estamos falando do óleo de dendê e do óleo de cozinha que, muitas vezes, acabam sendo descartados em bocas de lobo e que, consequentemente, vão para rios e para o mar. A proposta é coletar o máximo possível desse material para dar uma destinação adequada e sustentável”, explicou.
Além disso, Ivan Euler pontuou que tanto as quituteiras quanto estabelecimentos comerciais poderão receber um selo de sustentabilidade. Para conquistar a certificação, será obrigatório contratar uma cooperativa credenciada pelo programa. “Dessa forma, fortalecemos a economia circular e garantimos a inclusão socioprodutiva dos trabalhadores da reciclagem”, disse.
Segundo o presidente da PBIO, Alex Gasparetto, o combustível produzido será destinado tanto ao mercado interno quanto à exportação. Ele lembrou que a empresa já atua com cooperativas de catadores na Bahia e em Minas Gerais, mas esta é a primeira iniciativa desenvolvida em parceria direta com um município.
“No ano passado, coletamos cerca de quatro toneladas de óleo por meio das cooperativas, mas isso ainda é muito pouco. Com esse convênio, acreditamos que será possível ampliar esse volume para algo entre 30 e 40 toneladas por mês”, projetou Gasparetto.








