segunda-feira, 11 de maio de 2026

João Roma está entre os 11 novatos do Congresso que se destacaram até aqui

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Da Redação

Reportagem publicada hoje (08) no jornal Folha de S. Paulo revela que do grupo de 120 novatos na Câmara e no Senado apenas 11 conseguiram, em algum momento, se destacar em posições relevantes em comissões dentro do Congresso Nacional. Outros dois foram líderes do governo Jair Bolsonaro Bolsonaro (sem partido) e três alçaram voos maiores, entre eles João Roma (Republicanos), que se licenciou do mandato para ser ministro da Cidadania.

Além de Roma, que chegou ao Congresso com o apoio fundamental do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) e hoje se credencia para disputar o governo da Bahia em 2022 com o apoio de Bolsonaro, quem obteve sucesso fora do Parlamento foi o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a titular da Secretaria de Governo do Planalto, Flávia Arruda (PL-DF).

Votações estrondosas

Alguns dos novatos chegaram ao Congresso com estrondosas votações. Uma parte, oriunda em especial de quartéis, delegacias ou das ruas que forçaram a queda de Dilma Rousseff (PT), surfou a onda de direita que elegeu Jair Bolsonaro e fez do PSL — ex-sigla do presidente — a segunda maior bancada da Câmara.

Eram os casos da jornalista Joice Hasselmann (SP), a segunda deputada mais votada do país, de Carla Zambelli (SP), expoente dos protestos pelo impeachment de Dilma, do ator Alexandre Frota (SP) e de vários candidatos cujo nome na urna começavam com general, coronel, capitão e delegado.

Outra parte, que reunia políticos de centro-direita e centro-esquerda, emplacou representantes por meio de entidades que pregam a renovação na política ou a sua qualificação — como a jovem da periferia de São Paulo Tabata Amaral (sem partido-SP), que nunca ocupou posição de destaque no Congresso.

Uma terceira leva se amparou apenas no sucesso que fazia nas redes, como a pastora e cantora gospel Flordelis (PSD-RJ) e o empresário e youtuber Luis Miranda (DEM) — que se elegeu pelo DF mesmo morando havia quatro anos nos Estados Unidos, de onde fazia vídeos com afirmações como a de que “qualquer um pode ter uma Lamborghini”.

Em todas essas frentes havia o discurso de se contrapor à “velha política”, carcomida por mordomias, escândalos e relações promíscuas de cargos e verbas. Análise feita pela Folha da trajetória e desempenho desses 120 novatos, porém, mostra que a realidade foi distinta da teoria, salvo exceções.

Verbas e escândalos

A análise dos generosos gastos públicos com os deputados mostra, por exemplo, que não houve economia relevante na cota parlamentar — de R$ 30,8 mil a R$ 45,6 mil por mês — e na verba para contratação de até 25 assessores — R$ 112 mil ao mês por deputado. A verba de gabinete (contratação de assessores) gasta em 2020 foi a maior dos últimos cinco anos, R$ 650 milhões. Boa parte dos novatos foi eleita com a promessa de que gastariam menos recursos públicos.

Os escândalos também não passaram ao largo do pelotão de novatos. Com 678,5 mil votos, a senadora Juíza Selma (MS) se elegeu pelo PSL adotando um forte discurso de combate à corrupção, o que lhe rendeu o apelido de “Moro de saia” — em referência a Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato. Já no Podemos, foi condenada pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico e compra de voto e perdeu o mandato.

A pastora e cantora gospel Flordelis (PSD-RJ) chegou à Câmara com a maior votação do Rio para uma candidata a deputada federal. Tinha como principal cartão de visitas o trabalho missionário em favelas, tendo adotado 55 filhos. Nesta semana deve também ter o mandato cassado sob a acusação de ter mandado matar o marido.

08 de agosto de 2021, 11:52

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