quinta-feira, 28 de maio de 2026

Mais de 570 mil brasileiros pediram bloqueio em sites de apostas; saúde mental lidera motivos

Foto: Freepick

Da Redação

Cerca de 574 mil brasileiros já solicitaram o bloqueio do próprio acesso a plataformas de apostas online autorizadas no país por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta criada pelo governo federal para tentar reduzir os impactos das chamadas “bets”.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que a principal razão apontada pelos usuários para pedir a exclusão é a perda de controle sobre o jogo e possíveis danos à saúde mental. O motivo aparece em 41% dos pedidos registrados até agora.

Questões relacionadas à segurança e privacidade de dados representam 18% das solicitações, enquanto problemas financeiros correspondem a 12%. Outros 13% afirmaram ter tomado a decisão de forma voluntária, sem apontar uma razão específica. Já 14% preferiram não informar o motivo.

A plataforma foi desenvolvida pela Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, e entrou em funcionamento em dezembro de 2025. O sistema permite que uma pessoa bloqueie, de uma só vez, o acesso a todos os sites de apostas regularizados no Brasil.

Ao fazer o pedido, o usuário informa os próprios dados e escolhe se deseja um bloqueio temporário, entre um e 12 meses, ou por tempo indeterminado. Segundo o governo, 69% das pessoas optaram pelo bloqueio sem prazo para terminar. Entre quem escolheu período determinado, um ano foi a opção mais comum.

Além de impedir acesso às plataformas já cadastradas no CPF do usuário, a autoexclusão também bloqueia novos registros e suspende o envio de publicidade direcionada sobre apostas.

A ferramenta reúne ainda orientações sobre saúde mental, informações sobre serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), links para empresas autorizadas a operar no país e um autoteste voltado à identificação de possíveis problemas relacionados ao jogo.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa faz parte de uma estratégia nacional de prevenção e redução de danos ligados às apostas online.

O governo também anunciou, na terça-feira (26), investimento de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS. O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo e deve começar ainda em 2026.

A recomendação oficial é que pessoas com dificuldades relacionadas ao jogo procurem apoio em unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou profissionais de saúde de confiança.

28 de maio de 2026, 15:19

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