Quase 40% das estudantes faltam à escola por dores menstruais, aponta pesquisa
Da Redação
Cólicas, dores no corpo e medo de vazamentos fazem milhares de adolescentes brasileiras perderem aulas todos os meses. Um levantamento do Instituto Alana revelou que 37,1% das alunas que menstruam faltam à escola mensalmente por causa de sintomas ligados ao período menstrual.
A pesquisa, divulgada às vésperas do Dia Internacional da Dignidade Menstrual, mostra que o problema vai além do desconforto físico. Seis em cada dez estudantes afirmaram sentir dores moderadas ou intensas, capazes de comprometer concentração, rendimento escolar e participação nas atividades.
Entre os sintomas mais citados aparecem cólicas, dores de cabeça, cansaço e receio de vazamentos durante as aulas. Segundo o estudo, as adolescentes chegam a perder cerca de dois dias letivos por mês.
O levantamento ouviu 2.551 estudantes de escolas públicas e privadas em todo o país, além de professores e gestores escolares. Para a pesquisadora Sofia Reinach, a dor menstrual ainda é frequentemente tratada como algo “normal”, o que dificulta acolhimento e diagnóstico precoce.
A pesquisa também identificou desigualdades raciais. Meninas negras faltam mais às aulas por questões menstruais do que estudantes brancas, embora relatem menos dores intensas. Segundo os pesquisadores, isso pode estar ligado à naturalização histórica da dor entre mulheres negras.
Outro ponto destacado pelo estudo foi a menarca precoce. Mais da metade das entrevistadas afirmou ter menstruado antes dos 11 anos, fator associado a cólicas mais severas ao longo da adolescência.
O relatório defende que escolas adotem políticas de saúde menstrual, com acolhimento às estudantes, justificativa para faltas e ampliação do debate sobre o tema dentro das salas de aula.








