domingo, 10 de maio de 2026

Moody’s e S&P rebaixam nota de crédito da Americanas; rombo afeta fundos do Nubank

Foto: Reprodução

Da Redação

A agência de classificação de risco Moody’s cortou nesta segunda-feira (16) a nota de crédito da Americanas de ‘Ba2’ para ‘Caa3’ e colocou o rating em revisão para rebaixamento adicional, acompanhando o movimento de suas pares Fitch e Standard&Poor’s na última sexta-feira (13).

Segundo a escala da Moody’s, obrigações classificadas como ‘Caa’ são consideradas especulativas com baixo posição e estão sujeitas a risco de crédito muito elevado. A nota ‘Ba’ também representa obrigações consideradas especulativas, mas sujeitas a substancial risco de crédito.

A decisão, de acordo com a Moody’s segue o anúncio de sexta-feira, quando a varejista obteve uma liminar protegendo-a por 30 dias contra vencimento antecipado de dívidas, prazo que a varejista poderá usar para obter um acordo com credores ou pedir uma recuperação judicial.

“A Moody’s acredita que, na ausência de um acordo com os credores para salvaguardar a liquidez, é provável que a empresa entre em recuperação judicial dentro de 30 dias a partir do anúncio”, afirmou em comunicado.

Também acredita que a empresa apresentará alternativas para melhorar a estrutura de capital, incluindo a um possível aporte de capital dos acionistas de referência. E ainda atrela o corte no rating a maiores riscos de governança, “em particular a falta de controles e transparência adequados”.

“A imposição do ‘standstill’ aos credores segue uma forte deterioração da confiança e o aumento do risco de crédito com incertezas relacionadas ao nível de endividamento da empresa e sua capacidade de servir essa dívida”, afirma a Moody’s no comunicado.

Além disso, a agência ainda vê aumento do risco de violação de cláusulas e aceleração da dívida na ausência do suspensão automática concedida em 13 de janeiro. A S&P e a Fitch cortaram já haviam cortado as notas de crédito da Americanas na última sexta-feira.

S&P – A S&P Global Ratings também rebaixou os ratings de crédito da companhia em múltiplos degraus, de ‘B’ na escala global e ‘brA-’ na Escala Nacional Brasil para ‘D’ (default).

O argumento é que, embora a tutela ainda não represente uma recuperação judicial, é um passo inicial rumo a ela. Além disso, a empresa anunciou nesta segunda-feira a contratação da Rothschild & Co. para renegociação de toda a sua dívida.

“Essa tutela cautelar pode ser utilizada em preparação para uma eventual recuperação judicial da dívida. Caso a Americanas não siga esse caminho, a outra possibilidade, em nossa opinião, seria chegar a um acordo com os credores para reestruturar sua dívida, o que consideraríamos um default de fato, dadas as atuais condições de estresse da empresa”, afirmou a a S&P Global Ratings em comunicado.

Os ratings de emissão das dívidas “senior unsecured” da Americanas também foram baixados de ‘B’ para ‘D’, retirando os ratings de recuperação ‘4’, sob uma expectativa de recuperação menor dessa dívida.

Nubank – A derrocada dos papéis das Lojas Americanas na Bolsa de Valores não afetou apenas quem investe na companhia. A queda histórica no valor da empresa prejudicou, por tabela, os investidores de um dos fundos mais conservadores do Nubank, que registrou perdas nos últimos dias. Fundos de outras gestoras que tinham recursos aplicados nas Americanas e seus investidores também tiveram perdas.

Com aplicação a partir de R$ 1, o Nu Reserva Imediata tinha quase 1% do seu patrimônio aplicado em debêntures da Lojas Americanas e da B2W em setembro do ano passado, de acordo com o último dado disponível. O fundo tem um patrimônio de quase R$ 2,6 bilhões e é vendido como um produto de baixo risco dentro da ferramenta “caixinha” (espécie de poupança oferecida pela fintech). Os papéis da Americanas, por sua vez, também eram considerados de baixo risco por agências de rating.

Ao todo, o Nu Reserva Imediata tem 18,61% do patrimônio aplicado em debêntures.

Entre quinta-feira, 12, e sexta-feira, 13, na esteira da perda de valor do papel da companhia na Bolsa, o valor da cota do fundo registrou queda. Caiu de R$ 1,147577 para R$ 1,138968, de acordo com dados compilados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

O recuo fez com que o fundo passasse a ter um desempenho abaixo do CDI, o referencial perseguido. Nos seis últimos meses o Nu Reserva Imediata tem ganhos de 6,4%, enquanto o CDI tem alta de 6,69%. Até o dia 12, porém, os ganhos do Nu Reserva em seis meses eram de 7,39%, enquanto o do CDI de 6,63%.

A rentabilidade negativa do produto provocou uma enxurrada de reclamações nas redes sociais, com os investidores questionando a perda com o fundo.

Procurado, o Nubank afirmou que cerca de 10% das “caixinhas” existentes têm recursos no Nu Reserva Imediata, que é uma das opções de fundo, com alta liquidez, baixo risco (grau de investimento), e que busca rentabilidade acima do CDI ao longo do tempo. ” O impacto de rentabilidade nesse fundo específico, causado pelo evento atípico de mercado, tende a ser amenizado ao longo do tempo pela estratégia de gestão do fundo”, disse em nota. Acrescentou que, “na experiência oferecida para as Caixinhas, o Nubank oferece diferentes opções de investimentos aos clientes, de acordo com seus objetivos, o questionário de adequação do perfil de risco do cliente e aceite do termo de adesão”.

A gestora de fundos de investimentos do Nubank, a Nu Asset Management, por sua vez, afirmou que o “fundo de renda fixa ‘Nu Reserva Imediata’ possui estratégia desenhada para ser uma opção de baixo risco e altíssima liquidez, e busca performance acima do CDI ao longo do tempo”. Destacou ainda que o fundo de tem grau de investimento, “possui rentabilidade nominal positiva de 2,72% nos últimos 90 dias, e segue trajetória de rentabilidade de longo prazo, apoiada pela diversificação de investimentos”.

A gestora acrescentou que “a pequena parcela de investimento em debêntures das Lojas Americanas, historicamente avaliada como Triple A por diferentes casas de rating, já foi revista”.

16 de janeiro de 2023, 20:20

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